Sobre os perigos de se eleger postes

Ciro Gomes não foi ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC prestar solidariedade a Lula. A atitude foi recebida com indignação por muitos petistas – afinal, o novo “pai dos pobres” carregou o ex-ministro nos braços como a um filho. “Quanta ingratidão”, bradam, esquecendo que, depois de viabilizar e incensar Ciro, Luis Inácio o escanteou, colocando Dilma na reta para a Presidência.

O que foi uma burrice, claro: se o senhor Gomes fosse hoje o presidente do Brasil, muito provavelmente não teríamos passado pelo impeachment, e é bem provável que essa epopéia da prisão jamais acontecesse.

Acontece que Lula elegeu um poste.

Não quero aqui ser desrespeitoso com a ex-presidenta que, com certeza, tem seus méritos e áreas de competência (ou não teria chegado até onde chegou), mas a atuação política “linha de frente” com certeza não é um de seus dotes. Ela discursa mal, articula mal, transita mal.

Dilma, no começo do primeiro governo, ensaiou uma tentativa de firmar-se como uma figura política de vida própria. Não deu certo, e Lula e sua turma acabaram encarregados de reconstruir as pontes com a base, os parlamentares, a militância e os movimentos.

Ao escolher como sucessora alguém cujo brilho jamais deixasse de ser mero reflexo do seu, o ex-presidente garantiu a permanência de sua figura sob os holofotes. Mas deixou um flanco aberto. Bastou uma ofensiva bem articulada dos adversários para demonstrar isso.

 

 

UM DUTRA PARA CHAMAR DE SEU

Eleger postes não é, nem de longe, uma má estratégia. Ela funciona muito bem em ambientes menores, como prefeituras de interior. Há cidades nas quais um mesmo prefeito governa, de fato, por décadas, alternando o próprio nome nas urnas com o de aliados sem brilho, que no governo acabam servindo mais como “avatares” do verdadeiro chefe.

O problema é que, quando caem, os postes costumam tombar por cima de quem os instalou.

Paulo Maluf, por exemplo, após passar décadas com a fama de “rouba, mas faz” sem ser tocado, começou a viver um processo de desabamento político com as trapalhadas e o rompimento com Celso Pitta, plantado por ele na Prefeitura de São Paulo.

Getúlio Vargas talvez tenha sido o único caso, até hoje, de uma manobra bem sucedida envolvendo um poste presidencial: ao ajudar Eurico Gaspar Dutra nas eleições de 1945, o “pai dos pobres” original certamente sabia da lentidão de raciocínio, das dificuldades de fala e da falta absoluta de jogo de cintura do marechal. O fracasso (de público, principalmente) do governo Dutra ajudou a volta do próprio Vargas à Presidência em 1950.

Talvez, ao escolher Dilma ao invés de Ciro em 2010, Lula tenha visto nela um novo Dutra – completo, com a dificuldade para discursar e tudo – um Dutra para chamar de seu. Só não calculou que os Carlos Lacerdas atuais fossem tantos, tão unidos e tão fortes.

Lula certamente rendeu-se de caso pensado

Lula poderia ter fugido do Brasil. Nem seria difícil. Ele esteve em pré-campanha aqui pelo Rio Grande do Sul, passou por São Borja, andou pela fronteira, poderia muito bem ter embarcado em um automóvel e ido para o Uruguai, a Argentina, o Paraguai. De lá, para Cuba, de onde jamais seria extraditado.

O ex-presidente poderia, também, ter optado pelo suicídio. Repetindo o gesto extremado de Getúlio vargas, ele bem poderia salvar sua biografia para a posteridade. Criaria, ainda, um fato novo capaz de dar ao PT uma chance de voltar ao poder, estancar a sangria, reverter tudo. Qualquer um que conheça a história de 1954 sabe do que estou falando: indignação geral, povo nas ruas, e o esquecimento imediato de todas as baixezas e vilanias atribuídas ao suicida, agora transformado em mártir.

Entre fugir ou morrer, Lula escolheu simplesmente entregar-se. Por quê?

 

 

Das duas, uma: ou ele aposta em um levante, ou sabe de antemão que sua prisão será cênica.

Pode ser que o líder petista aposte em uma onda de indignação capaz de tirar de casa os militantes e apoiadores que, embora nutrindo ainda simpatias e votando no PT, estavam desmobilizados. Institucionalmente, esta mobilização teria – como tem – o reforço de entidades como a ONU e de governos da América Latina, da Europa, etc.

É possível, ainda, que haja um esquema como aquele preconizado pelas imortais palavras de Romero Jucá, “um pacto nacional, com o Supremo, com tudo” para “estancar a sangria”. Afinal, o próprio Jucá já falava, em suas conversas grampeadas, da necessidade de achar um “boi de piranha”. Neste caso, Lula iria preso como vão os bandidos menores de 18 anos: sabendo que vai ser solto.

Resumindo: posso estar redondamente enganado, mas só consigo entender essa rendição do Lula como uma jogada alicerçada em um cálculo muito otimista. Ou um blefe.

O Sul – o jornal que QUASE foi

Saiu no Blog do Prévidi.

A DUPLA ATACA NOVAMEMTE! Primeiro eles escreveram o polêmico “A RBS DESISTIU DO RIO GRANDE”.
Desta vez, o texto é do jornalista Fábio Salvador com a importante colaboração do arquiteto Eduardo Escobar.


 

No final de março de 2015, o jornal O Sul deixou de ser impresso, migrando totalmente para a internet. Agora, passados três anos, podemos analisar o que isso significou: o jornal que ia “revolucionar” a comunicação no Rio Grande apagou-se.

Para quem não lembra, o projeto original da empresa na virada do século era criar um jornal popular e popularesco para ganhar as massas. Um formato que, na minha opinião, combinaria perfeitamente com o padrão estético da rede toda.

O problema foi que a RBS correu na frente e criou o Diário Gaúcho. Aliás, histórias sobre um vazamento de informações sobre o projeto da Pampa motivando a criação do DG são até hoje uma das mais indecifráveis lendas urbanas do Rio Grande.

Privado de sua linha editorial planejada, O Sul tentou destacar-se pelo visual, meio revista e meio experimentação, sendo o primeiro jornal totalmente a cores no RS. Creio que fosse também o mais caro para imprimir.

Uma coisa curiosa é que, mesmo não sendo barato, O Sul sempre me pareceu ter muitos assinantes, em alguns bairros com carrinhos até mais forrados do que os da ZH. O quanto disso devia-se a cortesias e promoções, não sei.

Acontece que a Pampa, apesar de ser a única rede que em algum momento teve condições de suplantar a RBS (a Record tem tamanho, mas tropeça nas particularidades regionais), jamais ambicionou voos ambiciosos: o negócio dos Gadret é ganhar dinheiro, não disputar hegemonias.

 

Otávio gadret, o Sílvio Santos dos pampas.
Otávio Gadret, o Sílvio Santos dos pampas.

 

E aí, vamos a 2015: quando a Pampa anunciou o fim do impresso, houve quem a aplaudisse pela “ousadia”. A maior parte dos profissionais de comunicação que conheço, no entanto, viu naquilo o mesmo discurso usado, na época, por muitos jornais médios e pequenos do interior, deficitários e assolados pelos custos de gráfica, que tentavam glamourizar a capitulação às pressões da dura realidade. O curioso foi ver um jornal grande da capital fazendo isso.

Talvez o abandono das bancas e stands não significasse tanto, se o conteúdo permanecesse interessante. Acontece que o antigo jornal já era conhecido pelo uso generoso de material de agências de notícias, além de repiques da imprensa do eixo Rio-São Paulo. E isso só piorou com o tempo.

O Sul é, afinal, parte de uma rede que inclui emissoras de rádio que só tocam playlists. Aliás, curiosamente, o ouvinte típico dessas estações cita as manchetes do Jornal O Sul anunciadas no meio das músicas, sem jamais ter lido as matérias. Nisso, o jornal antecipou a tendência da “leitura só de títulos” que caracteriza hoje as redes sociais.

Mantendo a coerência, a “jóia da coroa” do conglomerado é uma emissora de TV conhecida por exibir pérolas como o Stúdio Pampa*, e colocar as gatinhas deste programa para apresentar noticiário, além da programação absolutamente heterodoxa da tarde. A Pampa é uma rede especializada em entretenimento, coisas coloridas e celebridades regionais alegres. Jornalismo “hard news” nunca foi o forte da casa.

Ainda quando circulava em papel, O Sul já recebia muitas críticas por sua redação exígua. Na transição, anunciavam que a equipe seria mantida. Pouco depois, no entanto, comentaristas como o Blog do Prévidi e outros já falavam nas inevitáveis demissões.

Na internet, O Sul é, visualmente, um site de notícias normalzinho, clean, colunagem uniforme. Lembra muito um daqueles temas padrão do WordPress. Não que isso seja um defeito: comparando-o com ClicRBS e Correio do Povo, o site da Pampa é o de navegação mais fácil.

 

VIRTUAL PAPER E PDF

É meio engraçado notar que, embora tenham cortado a impressão, eles mantiveram um trabalho residual de diagramação, sendo possível ler o jornal em um virtual papel, folheando na tela, ou ainda abrir um PDF da edição toda e imprimir.

A diagramação da edição folheável, no entanto, é uniforme: fotos no canto, texto colunado, em letra sans serif. Um desenho espartano, a não ser nas capas, que seguem o desenho característico do antigo impresso. Curiosidade: há anúncios de página inteira no “flip”, indicando que há anunciantes interessados no formato e portanto, suponho, boa quantidade de leitores.

 

DE GRANDE APOSTA A COADJUVANTE

Não me entendam mal: O Sul online não é um mau site de notícias. A questão é que, se antes ele era um jornal diferentoso, metido a vanguardista, hoje é um portal de aspecto genérico. Faz um feijão com arroz bem feito.

Me parece que ele ocupa a periferia da lista de prioridades da Pampa. Matérias exclusivas são raras. Grandes coberturas, que eu me lembre não existem.

O Sul tinha, quando impresso, o maior time de colunistas de toda a imprensa gaúcha. Na internet tem apenas quatro, cujas opiniões constituem o principal conteúdo próprio do veículo. Esse time bem poderia fazer mais diferença, não fosse a perda, há muitos anos, do Mendelski para a Record.

O site tem pouquíssimos espaços de propaganda (dois na capa), e estes seguidamente exibem algum banner “chamando” programas da TV Pampa (um sinal universalmente manjado de falta de patrocinadores pagantes).

Até nas pequenas coisas parece haver um certo desleixo. Itens básicos como tags “title” dinâmicas foram esquecidas ou deixadas de lado (eu estou falando sério, ao abrir uma matéria o título da página que aparece no topo da tela é a própria URL).

Na verdade, a Pampa mantém um site de notícias com alguns redatores (bons) e aparentemente quase nenhum repórter, aproveitando a marca “O Sul” após o naufrágio do projeto original de ter um jornal. Naufrágio que jamais será admitido – “não quebrou, migrou!”

* PS: Não tenho nada contra o elenco do Stúdio Pampa e, inclusive, sou partidário da volta do programa. **

** PS2: Uma das minhas desilusões na vida é que o Studio Pampa tenha saído do ar antes de eu alcançar um status de subcelebridade local digno de aparecer no show.

Por quê a imprensa descobriu agora o general Schroeder Lessa?

Aparentemente, todos os grandes jornais e sites de notícias do Brasil resolveram dar manchete às declarações do general da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa. O militar diz que, se Lula ganhar seu habeas corpus e puder concorrer novamente à Presidência, não restará alternativa a não ser uma intervenção militar “para restaurar a ordem”.

Eu não vou discutir a teoria do general Lessa. Este artigo é sobre jornalismo. Na verdade, é sobre a pressão midiática para criar um certo clima de instabilidade no Brasil.

 

 

Até estudantes de primeiro semestre de Comunicação sabem que, para cavar uma manchete de impacto, basta procurar por alguém radical o bastante, que aceite ser citado como autor de uma frase de efeito. Preferencialmente alguém já garantido, aposentado, ou que não tenha como perder nada, ou nada a perder.

O jornalismo sério, no entanto, baseia-se na investigação, na checagem de dados e na análise objetiva tanto do valor da informação, quanto do valor da fonte.

Schroeder Lessa não é um general quieto que, subitamente e pressionado pela realidade do Brasil, manifesta-se. Ele tem textos, sempre alarmistas, publicados em sites como o Rainha Maria e outras publicações conservadoras do tipo. Ninguém nunca deu bola. Não se ouvia falar dele. Até ontem.

Comecei a suspeitar da seriedade da reportagem ao ler as falas do general, repletas de palavras em desuso, e com construções lógicas que poderiam muito bem ter sido escritas por Carlos Lacerda. Como se fossem de um personagem do passado. E eram.

Luiz Gonzaga é um general do Exército, mas um general de pijamas. Tem uns de 80 anos de idade, pelo que descobri na internet. Militares aposentam-se cedo. O autor das “declarações-bomba” deve estar, portanto, fora do quartel há duas décadas, pelo menos.

Fazendo um cálculo simples, conclui-se que o auge de sua carreira e de seu poder real de comando ocorreu há uns trinta anos. Sua carreira aconteceu, portanto, durante o regime militar. Sua declaração é, portanto, previsível.

E aí voltamos à questão do mau jornalismo: até um repórter iniciante sabe que a mentalidade dos militares daquela geração não é a mesma dos da geração atual, que são os que têm as armas na mão. E eles não falam em golpe.

Somente a prática de um péssimo jornalismo justifica tamanha repercussão às declarações do general Lessa. Só para compararmos, é algo tão surreal quanto colher o depoimento de algum esquerdista octogenário, e sair dando manchetes sobre uma iminente revolução comunista comandada pelo antigo Partidão.

A RBS desistiu do Rio Grande

Saiu hoje, no Blog do Previdi:

 

Escreve o arquiteto Eduardo Escobar, com a colaboração do jornalista Fábio Salvador:

A RBS desistiu desistiu do Rio Grande

Não! Não estou profetizando uma iminente venda do que restou do Grupo RBS, aos sul do Mampituba…
Mesmo que isso passe pela cabeça da Família Sirotsky e de alguns executivos, falo de “desistir” no sentido de não estar nem aí pro que acontece no Estado. Em especial, a RBS deixou de se importar com a manutenção da “personalidade” do gaúcho que ela, de certo modo, ajudou a formatar ao longo das últimas seis décadas.

Começando com Maurício Sirotsky e, depois, com Jayme, os filhos e netos, o gaúcho percebeu que não vivia sem rádio, sem jornal e, mais recentemente, sem a TV, que unificou os diferentes rincões.

A palavra-chave do sonho do patriarca era, sem dúvida nenhuma, integração. Integração do Estado e integração dos seus veículos de comunicação. Infelizmente, o sonho do Seu Maurício não alcançará a quarta geração.

 

 

O xodó do Grupo

Comecemos analisando o xodó do Grupo: a RBSTV (ainda que eu me refira a ela, num reflexo condicionado, de TV Gaúcha) não é nem sombra do que foi um dia. Aquilo que, em tempos idos, foi uma rede de emissoras distribuindo notícia e entretenimento por todo o Estado, hoje só tem dois programas que podemos considerar “horários nobres” de segunda a sexta-feira: o Bom Dia Rio Grande e o Jornal do Almoço. Ao lado deles, temos um dos mais chatos programas regionais no final de semana, o Galpão Crioulo (que merece um capítulo à parte).

Você já notou aquelas vinhetas antes e depois de cada programa, mostrando belas paisagens do nosso Estado ou trabalhos de fotógrafos, assinado pelo Jornal do Almoço?

Aquilo parece um espaço cultural? Só que não é: ali era para estar sendo vinculado o anúncio de um patrocinador local, fixo dos programas. As vinhetas rodam porque não há anunciantes locais investindo em publicidade na TV.

A RBSTV (TV Gaúcha!) se sustenta nas cotas de anunciantes da rede nacional. Sumiram o Banrisul, a Tramontina, o Zaffari, as grandes lojas de departamentos. Dois ou três apoiadores resistem, bravamente, nos horários do JA e do RBS Notícias. No Bom Dia Rio Grande, só me vem à cabeça o comercial do pinto mole e da ejaculação precoce. E ainda assim dizem que a TV é o veículo com maior faturamento no grupo. Imagina o que sobra pros outros?

 

O grande jornal

Ah, o jornal. O que dizer sobre Zero Hora, que suplantou os veículos do antigo barão da imprensa gaúcha, o velho Breno Caldas? Primeiro, faz uns seis meses que não tenho acesso ao jornal no seu meio físico, o papel. Ele perdeu seu protagonismo, segundo os especialistas, por culpa da internet. Por isso ele migrou para dentro da web e, acreditem, tirou ainda mais o tesão pelo formato em papel.

Vocês podem estar pensando que essa falta de apelo do jornal tradicional deve-se à facilidade de acesso pelo computador. Mas não! Não, pelamôrdedeos, não!

Veja bem: primeiro, eles acabaram com a coluna policial. Os especialistas iluminados disseram que o leitor/mercado não via mais razão para um espaço dedicado à crônica policial, porque esse assunto poderia muito bem ser absorvido pelas páginas que tratassem do “cotidiano”. Depois, pararam de abordar o dia a dia das cidades, de cobrir os problemas de modo pontual, porque qualquer buraco no asfalto, qualquer ônibus lotado, começou a ser tratado pelo viés político. Se um caminhão dos bombeiros estraga, a culpa é dos políticos. Se falta uma sinaleira pras crianças atravessarem a rua e chegarem na escola, é culpa dos políticos.

E ZH se transformou em um grande jornal que só trata de dois assuntos: política e futebol. Ah! E quando falo de futebol estou falando de dupla Grenal.

 

As rádios do Grupo

Basicamente, as principais rádios canibalizaram-se. A Cidade virou Farroupilha FM, e logo ali virará qualquer outra coisa, porque a Farroupilha em duas ondas não deu certo.

A Atlântida (ATL) virou rádio de pateta e a Itapema perdeu o nome pra daqui a pouco ser engolida por essa ATL jovem. Aliás, a ATL já engoliu também a Rádio Gaúcha (ninguém notou?), o antigo orgulho da gauchada. A ideia de que onde quer que o sinal dos 600 MHz chegasse, haveria um gaúcho sintonizando a Rádio Gaúcha, virou coisa do passado.

Não existe mais nenhum programa que tenha a audiência antes registrada com os grandes comunicadores que sobreviveram à virada do século, por todo o Brasil. Jayme Copstein, Lauro Quadros, Ranzolin, Lasier. Eram figuras que extrapolavam a audiência local. Seus substitutos não servem para amarrar os sapatos destes grandes nomes do rádio.

E a fusão? A fusão da rádio e do jornal, que foi além da unificação das páginas na internet, criou um veículo que não tem o quê dizer ou repercutir.

Aliás, GauchaZH se transformou num veículo que não dá notícias. A rádio e o jornal são essencialmente veículos OPINATIVOS. Só publicam a opinião de seus jornalistas/celebridades e de seus ouvintes/leitores. E só se eles estiverem com a mesma opinião. Enfim, a rádio/jornal entrou numa espiral hedonista. É o cão lambendo as próprias bolas.

 

Cagando para o Rio Grande

Lembram do Garota Verão? A promessa era de ficar um ano suspenso e voltar mas, claro, não voltou. E antes que as feministas fiquem indignadas, o Garota Verão era um instrumento (comercial/cultural) de integração regional, ainda que explorasse a beleza de meninas. Depois disso só sobrou o porco no rolete que passava no Teledomingo, como símbolo da integração regional. Mas esse, também ele, não resistiu.

Expoagro, Expodireto, Expointer: onde estão as grandes coberturas destes eventos, que monopolizavam todos os veículos do Grupo? Onde estão os projetos como o Curtas Gaúchos?

A RBS perdeu a cobertura do Carnaval de Porto Alegre e, agora, age como se não existe mais carnaval na cidade… Porque, sejamos francos, na realidade não existe mesmo. Mas este não é o ponto.

O Grupo só investe no Gauchão porque a Globo paga com seus anunciantes a exclusividade na transmissão. Por isso a RBS finge que cobre com prazer o certame estadual. Mas, se dependesse da empolgação com que os donos do conglomerado olham para o Rio Grande, a animação já teria acabado faz tempo – como, de forma geral, fica evidente que acabou.

Viamão terá nova união de estudantes secundaristas

Coincidindo com a publicação do meu post sobre a morte do movimento estudantil na nossa cidade (e o enfraquecimento dele em todo o Brasil), agora está em fase final de organização uma organização estudantil local, voltada à turma do ensino médio, ligada à UGES e à UNE.

A nova entidade está sendo gestada por uma Juventude de um partido político. O que não é novidade nem deverá chocar a ninguém: falar-se em “ausência de política partidária” na política estudantil é uma utopia.

Nunca, em décadas, um grupo teve tanta força e unidade em Viamão

Viamão é uma cidade na qual eleições municipais são, tradicionalmente, decididas por detalhes: não havendo segundo turno por aqui, os prefeitos são normalmente eleitos com pouco mais de um terço dos votos. Mas, em 2016, tivemos um raro caso de vitória “de lavada”, com mais de 50% do votos, atribuída ao atual prefeito André Pacheco.

A situação mudou pouco desde então: o tucanato viamonense, concentrado ao redor do governo municipal e, principalmente, do seu lider de facto, o ex-prefeito Valdir Bonatto, desfruta de um poder político absolutamente inédito nas últimas duas decadas na cidade.

Se observarmos, durante os governos do PT, os partidos de oposição eram fortes e realmente dividiam as votações locais quando chegava a hora de apoiar candidaturas em eleições gerais. Hoje, Viamão é um grande campo político Bonattista, sem grandes obstáculos. São partidos e mais partidos, uma maioria absoluta na Câmara, cabos eleitorais por toda parte e uma administração municipal que, mal ou bem, ainda tem força e poder de barganha junto às comunidades.

Jamais, neste século, um grupo teve tamanho domínio sobre o Executivo, o Legislativo, e a vida política de Viamão como um todo, com tantos links nas vilas e recursos midiáticos, econômicos e humanos.

 

 

Isso quer dizer o seguinte: André, Bonatto e seus aliados, mesmo já acometidos por um certo desgaste no governo, têm nas mãos a melhor chance das últimas décadas de somar, na cidade, a força necessária para o lançamento de pelo menos um deputado federal e um estadual, saídos diretamente das trincheiras da política local em 2018.

O grande obstáculo possível seria a divisão deste bloco em várias candidaturas (por causa dos sempre presentes egos conflitantes). Mas, dado o grau de centralização dessa turma (toda grande decisão parece já sair pronta da Estrada da Branquinha), é provável que nem isso seja um problema.

Se a situação é bom ou ruim, se os nomes a serem apoiados por esta gigantesca máquina são bons ou maus, cabe a cada um julgar conforme seus próprios critérios.

E se o Lula for preso?

Hoje será avaliado o pedido de habeas corpus feito pela defesa do ex-presidente Lula. Caso seja rejeitado por unanimidade, o líder petista poderá ir para o xilindró já no começo da semana que vem, dependendo da decisão do TRF4. Grandes jornais dão notícia de que a Polícia Federal já está de prontidão.

Enquanto espera ser julgado, Lula continua em pré-campanha. No discurso, o PT e seus movimentos sociais aliados acreditam em Luís Inácio e lutam por ele. Na prática, não vemos a prometida “revolução lulista” tomar as ruas – nem a militância petista parece disposta a ir para a rua apoiá-lo em massa.

Se for preso, Lula é 100% carta fora do baralho – mais do que atualmente já o é.

A presidência passaria a ser disputada, na prática, por Bolsonaro, Marina, Ciro Gomes, e um nome indicado por Temer (provavelmente Henrique Meireles).

O PT – com condenação ou não – terá que lidar com o fato de que cometeu exatamente o mesmo erro que, décadas atrás, seus militantes atribuíam ao PDT: o partido acomodou-se em ganhar eleições com a popularidade de um líder carismático, apostou todas as fichas nele e, sem ele, torna-se um partido fraco. Quem poderia substituir Lula? O Haddad? Nacionalmente, é um desconhecido. Suplicy? Maria do Rosário? Quem?

O PT fez de Lula seu próprio Brizola. A diferença é que Lula, ainda muito vivo, moribundeia politicamente; já o caudilho pedetista, pelo contrário, continua politicamente vivo mesmo tendo falecido há anos.

O outrora invencível Partido dos Trabalhadores, destituído de apoio e militância dos próprios trabalhadores (que esperavam coisa melhor depois de décadas de discurso virtuoso) e já sem o antigo poder hipnótico sobre a juventude (que migra em massa para o PSOL), uma vez perdendo seu grande puxa-votos nacional, torna-se um partido mediano. Se tiver um mínimo de decência e realismo, deverá abrir mão e apoiar algum nome de esquerda com chances. Mas eu não apostaria nisso: o PT é conhecido pela obsessão em encabeçar chapas, mesmo que suicidas.

Por quê praias, parques e praças não são “mera perfumaria” em uma cidade

No “aquecimento” do evento do AVANTE ao qual fui semana passada, pude bater um papo rápido com a vice-prefeita de Canoas, Gisele Uequed. Ela me dizia que a cidade (dela) anda investindo em espaços como praças, parques, áreas verdes, de lazer. Não fui até a cidade conferir, ainda, o quanto disso é real. Mas essa é uma conversa sempre muito importante para mim.

Talvez por ter crescido a poucos metros do Parque da Redenção, eu dou enorme importância a áreas deste tipo. Quando conheci Canoas há alguns anos, tive uma impressão negativa justamente porque achei a cidade “cinza” demais.

Há quem pense que um bom condomínio, com playground e piscina, pode substituir um parque ou uma boa orla de rio. Playgrounds são bolhas: lá a gente só encontra quem já conhece, moradores do mesmo residencial, pertencentes à nossa mesma faixa social. Neles não há artistas de rua e nem a efervescência do diferente. É como o mundo real, mas feito de plástico.

 

 

Os parques e praças são o último espaço coletivo de convivência na qual a cidade ainda “acontece” de forma presencial na vida das pessoas. São a ágora que restou. Não sendo espaços privados, ganham um caráter altamente democrático e servem de palco para a expressão das muitas subculturas e tribos urbanas.

Pode-se ir a esses lugares com muito dinheiro no bolso, ou sem um tostão: este tipo de espaço é a única opção gratuita e universalmente acessível de lazer existente.

Na minha opinião, quem não enxerga isso nem deveria concorrer a prefeito de cidade alguma.

Nova Executiva Estadual do AVANTE tomou posse ontem

A noite de ontem foi marcada pela posse da nova Executiva Estadual do AVANTE (antigo PTdoB), no salão de eventos do Hotel Intercity, em Porto Alegre. O novo presidente do partido no RS é o meu amigo Rubens Rebés.

Além dos líderes regionais e de dezenas de representantes municipais, tínhamos ali o presidente nacional do AVANTE, o deputado federal Luis Tibé, de Minas Gerais. Pessoas de outros partidos também prestigiaram o evento: o ex-vice-prefeito da capital, Sebastião Melo (MDB), o prefeito de Canoas, Luis Carlos Busato (PTB), e a vice-prefeita de lá, Gisele Uequed (Rede), com o pai dela, o ex-deputado federal constituinte Jorge Uequed.

 

Luis Tibé, o presidente nacional do partido.

 

Não, eu não fiz minha imitação do Melo na frente do Melo. Que pena.

 

Carmen Santos, presidente do partido em Porto Alegre, (e, descobri, minha espectadora do programa Zoeira).

 

Gisele Uequed, vice-prefeita de Canoas.

 

O indefectível Jorge Uequed.

 

As duas últimas presenças foram as mais especiais para mim, porque eu não conhecia o deputado, a não ser como personagem histórico. Eu tinha muito contato com a Gisele pelas redes sociais na época em que organizava minhas infames e bastante inapropriadas enquetes.

Essas e outras presenças me deram uma certa noção do tamanho do partido e de seus líderes. Rubens recentemente capitaneou com sucesso uma onda migratória de grandes proporções, do PHS para o AVANTE, em curtíssimo espaço de tempo. O novo partido está organizado em mais de 130 municípios gaúchos.

Rebés começou sua trajetória nos protestos de 2013 aqui em Viamão. Depois, fundou o DEM na cidade e puxou votos para o Onyx Lorenzoni. Dali foi para o PROS, já em Porto Alegre e, saindo também deste partido, virou presidente estadual do PHS. Há alguns dias, sentindo-se sacaneado, foi para o AVANTE. Agora, é pré-candidato a Deputado Estadual.

 

OU CRESCE, OU MORRE

O principal desafio do AVANTE para 2018 é ultrapassar a votação mínima prevista na nova Cláusula de Desempenho: o partido precisará multiplicar por QUATORZE a votação feita em 2014 para o Congresso no RS. A diretoria parece saber disso, e começou a se organizar. Durante o evento, foi apresentada uma lista dos pré-candidatos a deputado, com nominata praticamente cheia, cobrindo todas as regiões do Estado.

Eu mesmo penso em me filiar e, finalmente, concorrer em uma eleição.