As eleições de 2018 não são um lugar para bons-mocinhos

Estamos em ano eleitoral, e parece que os marqueteiros e coordenadores de campanha precisam aprender uma nova lição. A pontaria destes seres brilhantes da política pode até ser boa, mas o alvo está se mexendo.

Há mais ou menos duas décadas e meia, após o estrondoso sucesso das primeiras campanhas coordenadas por “marqueteiros” nordestinos (não sei por quê, mas nordestinos praticamente monopolizam o talento para esta função), temos eleições dominadas pelo apelo emocional. Nos últimos pleitos, no entanto, a fórmula deu alguns sinais de desgaste. E isso não e opinião minha: é constatação dos próprios profissionais.

As campanhas emocionais, pasteurizadas e fofas que garantiam sucesso a qualquer poste estão com os dias contados.

O candidato “baunilha”, com seu discurso bonitinho e perfeitamente cuidado para não ferir nenhuma parte do eleitorado já não engana a quase ninguém.

Se em 2002 era possível ao novo “Lulinha paz e amor” fazer votos com sua “carta aos evangélicos”, hoje fica muito claro que, para qualquer candidato, um simples aceno à esquerda ou ao movimento LGBTQ+ equivale à renúncia à massa de votos dos “crentes” – convertidos em novo e cada vez mais forte fiel da balança eleitoral.

O aparecimento de uma “direita declarada” – algo que não existia há alguns anos atrás – é outro sinal destes novos tempos. Passada a lembrança do regime militar, ser “conservador” deixou de ser tabu. E isso é bom até para a esquerda, que agora congregará apenas defensores de bandeiras da própria esquerda, e não os tradicionais direitistas vestidos de “candidatos de centro”.

O eleitorado está cobrando posição, e está analisando aspectos mais racionais. É o fim da figura do candidato “a favor de tudo e contra nada”, embalado por uma musiquinha pulante.

E isso é ótimo!

Em qualquer país avançado, uma eleição é o embate de visões de mundo excludentes, e os candidatos falam para seu nicho de apoiadores. Se estamos caminhando nesta direção, é porque a democracia no Brasil está abandonando puerilidade infantil, para tornar-se finalmente madura.