O vereador Jessé Sangalli: uma análise

Hoje cedo me pediram opinião sobre o vereador Jessé “da Ipiranga até Viamão”, como dizia seu nome de urna. Na hora, não formulei nada. Pensando melhor (depois de um café), posso tecer pelo menos um pitaco, um insight sobre o assunto.

Quando Jessé foi eleito, a impressão geral era de um vereador de mandato único: sem experiência, sem um programa claro, e com apelo baseado em um único projeto, ainda por cima irrealista. Uma espécie de curiosidade exótica na lista de eleitos. Ninguém dava nada.

A questão é que o parlamentar vai, aos poucos, achando um nicho e firmando uma personalidade pública consistente.

 

 

No campo “teórico”, das ideias, ele faz um discurso no mesmo viés de figuras como Rodrigo Constantino, Marcel Van Hatten, e toda essa “direita” que ganha aplausos dando voz à indignação do cidadão de classe média com o populismo, o assistencialismo e a burocracia. Bate na esquerda, repete bordões anti-comunistas.

No campo prático, apresenta projetos que obviamente demandariam uma mudança radical de legislação e de mentalidades mas que, pensando livremente, são soluções simples e definitivas. No programa Viamão Alerta Debates da última segunda-feira ele propôs contrapor os problemas do transporte público com o fortalecimento dos aplicativos tipo Uber e 99Pop, e a liberação para que vans possam atuar nos bairros.

Sendo um vereador novo, não associado com nenhuma das “panelas” e famílias tradicionais da política, consegue ainda passar a imagem de “outsider”, que está na moda. Levará um tempo para que essa marca se desgaste, mesmo ele sendo parte da base do governo.

Jessé achou um público definido, que espera um tipo de discurso, e está sabendo surfar nas expectativas e medos desse público.
Ao mesmo tempo, tem feito um bom trabalho de base, capturando uma fatia de eleitorado que não se sensibiliza com o discurso teórico e espera algum tipo de socorro, com projetos como o “Concreta Beco”.

Se o discurso, a prática ou as ideias do vereador Jessé Sangalli são boas ou ruins, isso depende da visão de cada leitor.

O que estou dizendo é que ele achou uma fórmula de atuação política e eu já não apostaria as minhas fichas na teoria do “vereador de um mandato só”. Mesmo que ele tenha que ficar ouvindo piadas e dando explicações, por muitos anos ainda, sobre a tal vinda da Ipiranga até Viamão.

Lancei meu novo livro “Política para Iniciantes”

Estou ainda experimentando o Amazon KDF, uma plataforma para lançamento de livros (ebooks) para Kindle. O sistema abre a possibilidade de venda do livro físico pela própria Amazon. E a obra “selecionada” para esta nova fase tecnológica da minha vida como escritor é o manual semi-maquiavélico “Política para Iniciantes”.

Trata-se de um guia bastante prático e desprovido de pendores moralistas ou ideológicos. Começa falando sobre os cargos, a estrutura dos três poderes, legislação eleitoral, e depois ingressa em assuntos mais subjetivos, como a mecânica de funcionamento REAL dos partidos. No final, o livro assume que seu leitor pretende ser candidato, e traz instruções muito didáticas sobre material impresso, campanha na internet, organização de campanha, etc.

O texto é todo permeado de dicas e macetes que você não encontrará em nenhuma obra sisuda sobre ciência política. É um livro escrito “no popular”, para quem não tem tempo a perder, e quer saber como as coisas são – não como deveriam ser.

“Política para Iniciantes” já está disponível na Amazon.