Sobre esse novo Canal Viamão de Notícias

Entrou no ar o Canal Viamão de Notícias, criado pelo jornalista Vinícius Santos, que já comandou a Comunicação da Prefeitura e é o “herdeiro do trono” do centenário (e meio falecido) jornal Correio Rural.

Visualmente, o novo site é uma composição simples e leve, usando como base o WordPress. Rápido no carregar, funcional, de fácil navegação e bem organizado em editorias, mistura matérias jornalísticas e textos de opinião na capa – abandonando a velha obsessão (vinda do jornalismo analógico) de separar visualmente as duas coisas.

 

 

As primeiras notícias demonstram um certo bom-mocismo politicamente correto nos assuntos e nas linguagens (algo que já vinha marcando o antigo CR nos últimos anos). Os releases da Prefeitura são uma das fontes claras de informação. Já o primeiro texto de POLÍTICA (item importante de se analisar, visto que o veículo nasce em ano eleitoral) foi sobre a vinda do pré-candidato do PSDB, Eduardo Leite, a Viamão.

Nada disso surpreende. Afinal, a redação do CVN fica na Estrada da Branquinha 299 – mesmo endereço da FACESI, a faculdade capitaneada pelo ex-prefeito tucano Valdir Bonatto.

O editor Vinícius diz, no entanto, que a política não será o assunto principal e que a ideia é focar no novo público surgido agora que Viamão torna-se uma cidade com uma população universitária significativa (não só na própria FACESI mas na PUCRS e no IFRS), com novas necessidades de informação e integração.

É óbvio que não se pode falar em neutralidade – que é uma lenda do jornalismo, uma fábula, nunca existiu de fato em parte alguma do mundo – mas, pelo que entendi, haverá uma preocupação em manter o profissionalismo, um zelo em não cair no panfletismo aberto. O quanto isso será possível com a pressão da campanha eleitoral daqui a alguns meses, ninguém sabe.

 

 

NOVIDADE E TRADIÇÃO

Por trás do visual clean, dos textos sucintos e da logomarca minimalista, o novo site tem muito em comum com o antigo Correio Rural. A começar pelos colunistas: o patriarca Milton Santos está lá, as crônicas do Pano Terra estão lá, e o esporte ficou a cargo do Saul Teixira. Há uma coluna “do leitor”. É mais ou menos “tudo como antes, no reino de Abrantes”.

Se o CVN herdou tantas características e a equipe do CR, por quê não manter o Correião? Segundo o próprio Vinícius, o nome do velho periódico não “colava” bem ao formato e à proposta do novo espaço.

A marca tradicional deverá ficar para sempre atrelada à memória do jornal fundado por seu bisavô em 1912 em mídia física, ou seja, em papel, e tornar a circular apenas SE e QUANDO, um dia, houver espaço para seu retorno como uma publicação impressa.