SER PAI É TORCER PARA TER ACERTADO

Ninguém nunca está preparado para ter filhos. Você pode ter lido tudo sobre o assunto, e não saberá tudo. Só idiotas presunçosos consideram-se prontos para uma coisa dessas. Sua presunção os impede de assumir que são idiotas, e sua idiotice os impede de ver que são presunçosos.

Eu sou pai há anos, e ainda não me considero pronto. Ninguém nunca estará. Não há pai ou mãe infalível neste mundo. Mas, ás vezes, a vida nos dá a chance de medir se, em linhas gerais, estamos acertando.

Aconteceu comigo: levei o Gabriel, 6 anos, ao parquinho da Redenção. Aquilo é a Meca dele. Se ele já tem uma concepção do que seja o Paraíso, com certeza é daquele jeito. Comprei cinco ingressos e ele começou seu roteiro quinzenal: naves, carro-choque, pescaria, etc.

Havia umas crianças pelo parque, pedindo dinheiro. Indiozinhos, já habituais ali. Quem nos abordou foi uma menina muito menor do que a média dos garotos-pedintes de sempre. Certamente a mando dos pais, ela também pedia moedas, mas seus olhos não desgrudavam do trenzinho. Ela provavelmente passava seus dias ali, só olhando os outros brincarem.

Não foi preciso pedir ao Gabriel, nem argumentar, nem nada: ele sacou do bolso um de seus ingressos e pôs na mão da indiazinha, que abriu um sorriso enorme. E lá se foram os dois, andar de trem.

“Se eu tenho um pão, e você não tem nenhum, então nós dois temos meio pão.”