Nunca, em décadas, um grupo teve tanta força e unidade em Viamão

Viamão é uma cidade na qual eleições municipais são, tradicionalmente, decididas por detalhes: não havendo segundo turno por aqui, os prefeitos são normalmente eleitos com pouco mais de um terço dos votos. Mas, em 2016, tivemos um raro caso de vitória “de lavada”, com mais de 50% do votos, atribuída ao atual prefeito André Pacheco.

A situação mudou pouco desde então: o tucanato viamonense, concentrado ao redor do governo municipal e, principalmente, do seu lider de facto, o ex-prefeito Valdir Bonatto, desfruta de um poder político absolutamente inédito nas últimas duas decadas na cidade.

Se observarmos, durante os governos do PT, os partidos de oposição eram fortes e realmente dividiam as votações locais quando chegava a hora de apoiar candidaturas em eleições gerais. Hoje, Viamão é um grande campo político Bonattista, sem grandes obstáculos. São partidos e mais partidos, uma maioria absoluta na Câmara, cabos eleitorais por toda parte e uma administração municipal que, mal ou bem, ainda tem força e poder de barganha junto às comunidades.

Jamais, neste século, um grupo teve tamanho domínio sobre o Executivo, o Legislativo, e a vida política de Viamão como um todo, com tantos links nas vilas e recursos midiáticos, econômicos e humanos.

 

 

Isso quer dizer o seguinte: André, Bonatto e seus aliados, mesmo já acometidos por um certo desgaste no governo, têm nas mãos a melhor chance das últimas décadas de somar, na cidade, a força necessária para o lançamento de pelo menos um deputado federal e um estadual, saídos diretamente das trincheiras da política local em 2018.

O grande obstáculo possível seria a divisão deste bloco em várias candidaturas (por causa dos sempre presentes egos conflitantes). Mas, dado o grau de centralização dessa turma (toda grande decisão parece já sair pronta da Estrada da Branquinha), é provável que nem isso seja um problema.

Se a situação é bom ou ruim, se os nomes a serem apoiados por esta gigantesca máquina são bons ou maus, cabe a cada um julgar conforme seus próprios critérios.

O que eu vejo nos planos de Chiden e Geraldinho

Antes de mais nada, que fique claro: eu não perguntei nada sobre isso a nenhum deles. Estou só ponderando em cima dos fatos.

Os dois têm em comum três características: ambos já foram políticos com mandatos importantes (deputado e prefeito); ambos sofreram desgastes que os levam a fazer cada vez menos votos a cada eleição; e ambos parecem estar apostando em “caronas” para reverter este quadro.

O ex-deputado Geraldinho Filho, depois de sagrar-se primeiro e até hoje único político viamonense a tomar posse no Congresso Nacional, aninhou-se no governo Bonatto/André. Está em visível pré-campanha. Contará com o apoio da “máquina”, CCs e aliados do governo municipal – é sua grande chance de reverter a perda de força eleitoral dos últimos anos. E talvez seja sua última grande chance em uma eleição geral. Se não der certo, ele será praticamente obrigado a descer um degrau e voltar às disputas em nível municipal.

Já o ex-prefeito Jorge Chiden assume a presidência do REDE em Viamão. O partido vive hoje uma virtual inexistência, com poucos filiados e nenhum nome eleitoralmente forte. Mas, se Marina Silva for eleita para a Presidência da República, ou simplesmente der mais visibilidade ao partido, Chiden passará a ter uma chance de voltar ao jogo. Ele precisa chegar a 2020 politicamente vivo – algo só possível se o REDE vencer a cláusula de barreira – para poder ter algum papel nas eleições municipais.