COMUNICADO: não poderei concorrer a Deputado Federal em 2018

Amigos,

Por motivos de força maior, financeira, burocrática (tudo junto), não poderei ser candidato a Deputado Federal em 2018 pelo PHS, como havia planejado e anunciado. Sei que a notícia abalará os alicerces da República, mas não há o que fazer.

 

 

Se há algo que aprendi na vida, é a lidar com a completa impossibilidade de fazer praticamente qualquer coisa que eu considere importante. Isso já nem me incomoda mais.

A boa notícia é para os poucos valentes que aguentam me escutar na Metropolitana: como não serei candidato, continuarei no ar, e vocês poderão me ver praticamente narrando as peripécias dos candidatos que estarão, de fato, concorrendo.

Força a todos.

Os amigos podem contar com a minha ajuda no que for necessário, já que não poderei ir às urnas.

Já os inimigos… bom… eu acho que atualmente não tenho inimigos (pelo menos, da minha parte não), mas se os tivesse… ah, estariam ferrados. Ou não.

Sobre os perigos de se eleger postes

Ciro Gomes não foi ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC prestar solidariedade a Lula. A atitude foi recebida com indignação por muitos petistas – afinal, o novo “pai dos pobres” carregou o ex-ministro nos braços como a um filho. “Quanta ingratidão”, bradam, esquecendo que, depois de viabilizar e incensar Ciro, Luis Inácio o escanteou, colocando Dilma na reta para a Presidência.

O que foi uma burrice, claro: se o senhor Gomes fosse hoje o presidente do Brasil, muito provavelmente não teríamos passado pelo impeachment, e é bem provável que essa epopéia da prisão jamais acontecesse.

Acontece que Lula elegeu um poste.

Não quero aqui ser desrespeitoso com a ex-presidenta que, com certeza, tem seus méritos e áreas de competência (ou não teria chegado até onde chegou), mas a atuação política “linha de frente” com certeza não é um de seus dotes. Ela discursa mal, articula mal, transita mal.

Dilma, no começo do primeiro governo, ensaiou uma tentativa de firmar-se como uma figura política de vida própria. Não deu certo, e Lula e sua turma acabaram encarregados de reconstruir as pontes com a base, os parlamentares, a militância e os movimentos.

Ao escolher como sucessora alguém cujo brilho jamais deixasse de ser mero reflexo do seu, o ex-presidente garantiu a permanência de sua figura sob os holofotes. Mas deixou um flanco aberto. Bastou uma ofensiva bem articulada dos adversários para demonstrar isso.

 

 

UM DUTRA PARA CHAMAR DE SEU

Eleger postes não é, nem de longe, uma má estratégia. Ela funciona muito bem em ambientes menores, como prefeituras de interior. Há cidades nas quais um mesmo prefeito governa, de fato, por décadas, alternando o próprio nome nas urnas com o de aliados sem brilho, que no governo acabam servindo mais como “avatares” do verdadeiro chefe.

O problema é que, quando caem, os postes costumam tombar por cima de quem os instalou.

Paulo Maluf, por exemplo, após passar décadas com a fama de “rouba, mas faz” sem ser tocado, começou a viver um processo de desabamento político com as trapalhadas e o rompimento com Celso Pitta, plantado por ele na Prefeitura de São Paulo.

Getúlio Vargas talvez tenha sido o único caso, até hoje, de uma manobra bem sucedida envolvendo um poste presidencial: ao ajudar Eurico Gaspar Dutra nas eleições de 1945, o “pai dos pobres” original certamente sabia da lentidão de raciocínio, das dificuldades de fala e da falta absoluta de jogo de cintura do marechal. O fracasso (de público, principalmente) do governo Dutra ajudou a volta do próprio Vargas à Presidência em 1950.

Talvez, ao escolher Dilma ao invés de Ciro em 2010, Lula tenha visto nela um novo Dutra – completo, com a dificuldade para discursar e tudo – um Dutra para chamar de seu. Só não calculou que os Carlos Lacerdas atuais fossem tantos, tão unidos e tão fortes.

O que eu vejo nos planos de Chiden e Geraldinho

Antes de mais nada, que fique claro: eu não perguntei nada sobre isso a nenhum deles. Estou só ponderando em cima dos fatos.

Os dois têm em comum três características: ambos já foram políticos com mandatos importantes (deputado e prefeito); ambos sofreram desgastes que os levam a fazer cada vez menos votos a cada eleição; e ambos parecem estar apostando em “caronas” para reverter este quadro.

O ex-deputado Geraldinho Filho, depois de sagrar-se primeiro e até hoje único político viamonense a tomar posse no Congresso Nacional, aninhou-se no governo Bonatto/André. Está em visível pré-campanha. Contará com o apoio da “máquina”, CCs e aliados do governo municipal – é sua grande chance de reverter a perda de força eleitoral dos últimos anos. E talvez seja sua última grande chance em uma eleição geral. Se não der certo, ele será praticamente obrigado a descer um degrau e voltar às disputas em nível municipal.

Já o ex-prefeito Jorge Chiden assume a presidência do REDE em Viamão. O partido vive hoje uma virtual inexistência, com poucos filiados e nenhum nome eleitoralmente forte. Mas, se Marina Silva for eleita para a Presidência da República, ou simplesmente der mais visibilidade ao partido, Chiden passará a ter uma chance de voltar ao jogo. Ele precisa chegar a 2020 politicamente vivo – algo só possível se o REDE vencer a cláusula de barreira – para poder ter algum papel nas eleições municipais.

Lancei meu novo livro “Política para Iniciantes”

Estou ainda experimentando o Amazon KDF, uma plataforma para lançamento de livros (ebooks) para Kindle. O sistema abre a possibilidade de venda do livro físico pela própria Amazon. E a obra “selecionada” para esta nova fase tecnológica da minha vida como escritor é o manual semi-maquiavélico “Política para Iniciantes”.

Trata-se de um guia bastante prático e desprovido de pendores moralistas ou ideológicos. Começa falando sobre os cargos, a estrutura dos três poderes, legislação eleitoral, e depois ingressa em assuntos mais subjetivos, como a mecânica de funcionamento REAL dos partidos. No final, o livro assume que seu leitor pretende ser candidato, e traz instruções muito didáticas sobre material impresso, campanha na internet, organização de campanha, etc.

O texto é todo permeado de dicas e macetes que você não encontrará em nenhuma obra sisuda sobre ciência política. É um livro escrito “no popular”, para quem não tem tempo a perder, e quer saber como as coisas são – não como deveriam ser.

“Política para Iniciantes” já está disponível na Amazon.