12 Homens Extraordinariamente Comuns (John MacArthur)

Nunca fui grande leitor de obras cristãs (isso talvez esteja mudando), e foi por acaso que descobri este livro, se não me falha a memória, na estante dentro de um restaurante perto da minha casa – e comprei-o, basicamente, porque não havia coisa melhor.

MacArthur é um autor importante. Pelo menos, acredito que seja: nunca havia ouvido falar dele mas, na “orelha” do livro, diz que ele já escreveu mais de 150 obras. Uma delas, aliás, chamada “Uma vida perfeita”. Ele só pode ser grande, pretensioso, ou ambos. Não sei.

A questão é que “Doze homens…” é uma obra bastante acessível, separada em capítulos não muito longos, sobre os apóstolos de Jesus Cristo. A partir da Bíblia, de relatos de historiadores e outras fontes, o autor descreve quem foram esses sujeitos que, em algum momento, reuniram-se em torno do Messias e passaram três anos com ele dando início, depois, à pregação pelo mundo todo.

Na minha opinião, este é um dos livros mais interessantes que qualquer interessado pelo cristianismo poderia ler. Os apóstolos – ao contrário do que a liturgia tradicional faz parecer – não eram grandes homens, nem sábios, nem santos. Eram sujeitinhos como eu ou vocês. Pessoas comuns.

Temos Pedro, descrito como um sujeito impulsivo dado a bravatas; temos Simão, um fanático não muito diferente de certos moralistas e militantes atuais; temos André, que agia nas sombras; Filipe, o calculista com pendores para a contabilidade e a indecisão; e finalmente paramos para observar figuras como Tiago, Tomé (que não era descrente, apenas um chato), e os dois Judas. Mesmo cristãos e teólogos com muita estrada podem aprender algo sobre esses sujeitos tão citados, mas tão pouco conhecidos.

Alguns pontos altos: a relação improvável entre Mateus e Simão; a análise do perfil de liderança de Pedro (esta parte do livro, aliás, encaixar-se-ia em qualquer uma dessas obras sobre “como selecionar líderes empresariais”); ou a verdaeira motivação de Judas Iscariotes para aderir e seguir ao bando de Cristo.

Claro, o escritor é um cristão aparentemente fervoroso, então é natural que haja certo determinismo, certo sentido de “predestinação” na escolha e no “sortimento” de tipos de personalidade dentro do grupo retratado. Mas até isso ajuda a obra a ter sua força.

Então, no fim das contas, este é um livro que recomendo para todo e qualquer curioso sobre o assunto. Ele não vai ferir suas suscetibilidades, a menos que você seja um cristão fundamentalista. Além disso, não é um livro badalado ou caro.

Às igrejas, eu recomendaria ter esta obra em suas bibliotecas, caso as possuam.