Nova Executiva Estadual do AVANTE tomou posse ontem

A noite de ontem foi marcada pela posse da nova Executiva Estadual do AVANTE (antigo PTdoB), no salão de eventos do Hotel Intercity, em Porto Alegre. O novo presidente do partido no RS é o meu amigo Rubens Rebés.

Além dos líderes regionais e de dezenas de representantes municipais, tínhamos ali o presidente nacional do AVANTE, o deputado federal Luis Tibé, de Minas Gerais. Pessoas de outros partidos também prestigiaram o evento: o ex-vice-prefeito da capital, Sebastião Melo (MDB), o prefeito de Canoas, Luis Carlos Busato (PTB), e a vice-prefeita de lá, Gisele Uequed (Rede), com o pai dela, o ex-deputado federal constituinte Jorge Uequed.

 

Luis Tibé, o presidente nacional do partido.

 

Não, eu não fiz minha imitação do Melo na frente do Melo. Que pena.

 

Carmen Santos, presidente do partido em Porto Alegre, (e, descobri, minha espectadora do programa Zoeira).

 

Gisele Uequed, vice-prefeita de Canoas.

 

O indefectível Jorge Uequed.

 

As duas últimas presenças foram as mais especiais para mim, porque eu não conhecia o deputado, a não ser como personagem histórico. Eu tinha muito contato com a Gisele pelas redes sociais na época em que organizava minhas infames e bastante inapropriadas enquetes.

Essas e outras presenças me deram uma certa noção do tamanho do partido e de seus líderes. Rubens recentemente capitaneou com sucesso uma onda migratória de grandes proporções, do PHS para o AVANTE, em curtíssimo espaço de tempo. O novo partido está organizado em mais de 130 municípios gaúchos.

Rebés começou sua trajetória nos protestos de 2013 aqui em Viamão. Depois, fundou o DEM na cidade e puxou votos para o Onyx Lorenzoni. Dali foi para o PROS, já em Porto Alegre e, saindo também deste partido, virou presidente estadual do PHS. Há alguns dias, sentindo-se sacaneado, foi para o AVANTE. Agora, é pré-candidato a Deputado Estadual.

 

OU CRESCE, OU MORRE

O principal desafio do AVANTE para 2018 é ultrapassar a votação mínima prevista na nova Cláusula de Desempenho: o partido precisará multiplicar por QUATORZE a votação feita em 2014 para o Congresso no RS. A diretoria parece saber disso, e começou a se organizar. Durante o evento, foi apresentada uma lista dos pré-candidatos a deputado, com nominata praticamente cheia, cobrindo todas as regiões do Estado.

Eu mesmo penso em me filiar e, finalmente, concorrer em uma eleição.

As eleições de 2018 não são um lugar para bons-mocinhos

Estamos em ano eleitoral, e parece que os marqueteiros e coordenadores de campanha precisam aprender uma nova lição. A pontaria destes seres brilhantes da política pode até ser boa, mas o alvo está se mexendo.

Há mais ou menos duas décadas e meia, após o estrondoso sucesso das primeiras campanhas coordenadas por “marqueteiros” nordestinos (não sei por quê, mas nordestinos praticamente monopolizam o talento para esta função), temos eleições dominadas pelo apelo emocional. Nos últimos pleitos, no entanto, a fórmula deu alguns sinais de desgaste. E isso não e opinião minha: é constatação dos próprios profissionais.

As campanhas emocionais, pasteurizadas e fofas que garantiam sucesso a qualquer poste estão com os dias contados.

O candidato “baunilha”, com seu discurso bonitinho e perfeitamente cuidado para não ferir nenhuma parte do eleitorado já não engana a quase ninguém.

Se em 2002 era possível ao novo “Lulinha paz e amor” fazer votos com sua “carta aos evangélicos”, hoje fica muito claro que, para qualquer candidato, um simples aceno à esquerda ou ao movimento LGBTQ+ equivale à renúncia à massa de votos dos “crentes” – convertidos em novo e cada vez mais forte fiel da balança eleitoral.

O aparecimento de uma “direita declarada” – algo que não existia há alguns anos atrás – é outro sinal destes novos tempos. Passada a lembrança do regime militar, ser “conservador” deixou de ser tabu. E isso é bom até para a esquerda, que agora congregará apenas defensores de bandeiras da própria esquerda, e não os tradicionais direitistas vestidos de “candidatos de centro”.

O eleitorado está cobrando posição, e está analisando aspectos mais racionais. É o fim da figura do candidato “a favor de tudo e contra nada”, embalado por uma musiquinha pulante.

E isso é ótimo!

Em qualquer país avançado, uma eleição é o embate de visões de mundo excludentes, e os candidatos falam para seu nicho de apoiadores. Se estamos caminhando nesta direção, é porque a democracia no Brasil está abandonando puerilidade infantil, para tornar-se finalmente madura.