Da Fama à Fome (Vera Lima Ceroni)

Era 2014. Eu estava trabalhando, quando tive a chance de conhecer Vera Lima Ceroni, psicóloga, dona de uma clínica aqui em Viamão, uma mulher que me passou uma impressão de possuir tremenda força e determinação. Ela me contou uma história interessante e no dia seguinte me trouxe este livro, do qual é autora. Não é bem uma biografia, nem bem um romance. Não sei classificá-lo.

Não há ficção neste livro, nenhuma. Nem precisa. Os fatos em si são tão surreais, e a narrativa tem um ritmo tão empolgante, que é impossível parar de ler.

A personagem principal, Josi Campos, foi modelo e atriz nos anos 1980. Ganhou concursos, posou para a Playboy, fez novela. Mas na metade da década seguinte estava passando fome, com problemas psiquiátricos.

O livro não é uma biografia da ex-famosa. Não lemos quase nada sobre a “história conhecida” dos anos de sucesso de Josi. O centro da obra é o relato de uma história de vidas entrelaçadas: Josi deixou um namoradinho de juventude para ir viver a fama, esse namorado casou com a autora do livro, e no fim das contas, caindo do Olimpo da fama para a insanidade mental, Josi acaba incorporada a essa família.

Estamos falando de um livro sem firulas: ele tem apenas 77 páginas, letras grandes, espaçamento um e meio. Da primeira página até a 34, temos a história. Da 62 até a 76, uma galeria de fotos e esclarecimentos sobre a vida atual da ex-modelo. Da página 77 até o final, uma entrevista com o médico Dráuzio Varela, aliás muito esclarecedora, sobre a esquizofrenia.

A diagramação toda da obra deixou ela leve e fácil de ler. A capa é genial. E o número de páginas, a distribuição dos assuntos, foram ideais. Só não gostei das fotos, que ficaram muito escuras.

Ceroni é uma mulher sem frescuras, e o livro segue o mesmo estilo: ela não usa linguagem rebuscada nem tenta impressionar ninguém com sofisticação literária. A impressão é de que estamos diante de um relato verbal.

E não há ficção no livro. Nem precisa. Os fatos em si são tão surreais, e a narrativa tem um ritmo tão empolgante, que é impossível parar de ler. Eu mesmo li o livro todo de uma vez só. Sem parar. Sem cansar.

Pena que eu tenha apenas um exemplar (com dedicatória) dessa sensível e interessantíssima obra, senão sortearia uns para os amigos leitores.