Quem é Fábio Burch Salvador

Natural de Porto Alegre. Casado, dois filhos. Servidor público desde 2015, ocupo a função de Agente da Receita Federal em Caçapava do Sul desde 2020.

Eu me formei em Jornalismo pela PUC-RS em 2005. Depois, já trabalhando, fiz um monte de cursos corporativos – a maioria, nas áreas de Liderança e Comunicação.

Adoro ensinar, estar em salas de aula e auditórios. Já fui instrutor no Senac e em capacitações na CEEE e na Receita Federal.

Como jornalista independente, fui diagramador e editor de alguns jornais e fiz parte da primeira geração de comunicadores da internet na cidade de Viamão/RS.

Também já comprei minhas brigas: fui agitador estudantil, fiz parte de um comando de greve e me meti em política em mais de uma oportunidade.

Fora isso, sou escritor e colunista de opinião em jornais e sites variados. Mantenho ainda um canal no Youtube, no qual falo de história, sociedade, promoção da cidadania, atualidades e, claro, comunicação e liderança.


Biografia completa


Eu nasci há 10 mil anos atrás…

… brincadeira.

Eu nasci em 1981 na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, do Brasil e do Mundo. Sou casado e tenho dois filhos.

Eu dei sorte, porque nasci em uma família bem legal.

Tenho uma irmã mais nova, nascida em 1983. Como temos praticamente a mesma idade, crescemos brincando juntos. Meus pais são pessoas extremamente trabalhadoras e sempre deram muito valor ao estudo.

Minha mãe é formada em Educação Física, e sempre fez questão que tivéssemos uma alimentação saudável e fizéssemos exercício . E isso, meus amigos, é uma coisa que não tem preço pois os impactos positivos duram a vida toda.

Meu pai é contador, e me deu sempre uma visão muito prática da vida. Nós não tínhamos essa cultura do “troféu de participação”, meu pai deixava claro que o mundo real era feito de desafios e que o Universo não tem pena de ninguém. Isso também é uma daquelas coisas vantajosas que passam a fazer parte da formatação mental básica da pessoa para sempre.

Quando eu nasci, meus pais moravam no Partenon mas, uns dois anos depois, fomos morar no limite entre os bairros Santana e Bom Fim, a exatamente uma quadra e meia do Parque da Redenção.

Esse parque foi o centro de toda a minha infância e juventude – e acredito que será, de certa forma, da minha vida toda.

Esta mudança de bairro foi um “peitaço” – mas não foi o primeiro e nem seria o último na vida deles.

Na verdade, eu cresci vendo meus pais progredirem de um inicio muito humilde para uma vida confortável e financeiramente estável em um processo que durou três décadas muito suadas. Cada degrau da subida foi uma montanha, escalada sempre com enormes dificuldades e sacrifícios.

Foi em casa que eu aprendi, pelo exemplo deles, que embora talento e sorte sejam importantes, a força mais valiosa que uma pessoa pode ter é a força de vontade.

Minha infância foi muito parecida com o que vemos em um almanaque dos anos 80 – eu tive um Atari e um Ferrorama, além de bonecos dos Thundercats e do He-Man. Minha irmã tinha um Pogobol e bonecas Barbie. Escutávamos discos do Trem da Alegria mas, ainda criança, fiquei fã do Raul Seixas. Era um caldo cultural interessante.


O menino esquisito com os óculos “fundo de garrafa”

Aprendi a ler e escrever antes da idade escolar. Fiz todo o Ensino Fundamental na Escola Estadual de 1º Grau Luciana de Abreu. Eu não tinha amigos na escola nos meus primeiros anos lá – pelo contrário, tinha fama de “louquinho” e de “abobado”, e sofria bullying por isso. Em grande parte, porque eu gostava de contar piadas e de fazer imitações no meio da aula.

Na praia, a história era bem diferente. Passávamos os verões em Capão da Canoa, onde eu tinha uma turma. Saíamos para “pegar onda” (sim, nós nos achávamos uns surfistas, com nossas pranchas de isopor), jogar taco e frequentar os fliperamas (ainda lembro vividamente do dia em que dois deles chegaram falando de Street Fighter 2, que acabara de ser lançado, e nós fomos todos conferir a novidade).

Eu só passei a ter um grupo de amigos no colégio quando cheguei à 7ª série. E vou dizer que valeu a pena esperar porque esses caras eram realmente incríveis – os melhores do mundo! Falo com alguns deles até hoje (na verdade, com quase todos).

Estudávamos no turno da manhã e passávamos as tardes falando besteira (e depois, filmando algumas pérolas do cinema caseiro – mas eu já chego nessa parte), ou então às voltas com videogames, jogos de RPG, animes e todo um mundo de nerdices mil.


Minha primeira campanha eleitoral

Eu tinha uma tia chamada Suzana, que era assessora do deputado Mendes Ribeiro Filho. Então, eu frequentava gabinete e diretório de partido desde cedo. Cresci mais ou menos dentro do PMDB.

Um dia, ela me levou para um passeio meio esquisito. Lembro disso como um filme: eu estava dentro do carro dela, olhando para fora. Uma multidão empunhando bandeiras e placas. Um barulho infernal.

Um carro de som tocava: “Britto, Britto e Mercedeeees…”

Eu tinha 6 ou 7 anos de idade e estava no meio das eleições municipais de 1988. Aquela era a segunda eleição para prefeito da capital gaúcha, logo depois do fim do regime militar e da redemocratização do país.


Computeiro precoce e devorador de livros

A primeira vez que vi um computador de perto na vida foi no final dos anos 80. Meu pai me levou para passar o dia na firma em que ele trabalhava e, como eu era hiperativo e enchia a paciência de todo mundo porque falava sem parar, ele me pôs diante de um AT/XT com monitor verde-e-preto. E me deixou lá, escrevendo no WordStar.

Ah, saudoso WordStar…

Eu gostei tanto daquela “brincadeira” que acabei aprendendo a programar ainda guri, em um PC 286 que meu pai usava para trabalhar em casa.

Essa minha relação com a informática, precoce e incomum para a época, acabaria sendo bem útil na minha vida adulta.

Acredito que tenha sido nesta época, também, que passei a me interessar por História e devorava obras como a Coleção Grandes Líderes. Eu adorava ler enciclopédias – daquelas em volumes, tipo “Conhecer” e “Barsa”. As lia antes de dormir e até no banheiro.

A leitura era um vício, uma loucura minha (ainda é).


Forrest Gump da Geração Cara Pintada

Eu tinha 11 anos e estava andando na rua. Uma pequena multidão passava na rua Laurindo, próxima ao colégio Julinho, em Porto Alegre. Acabei acompanhando aquele estranho carnaval por algumas quadras.

Eu não compreendia muito bem o que era aquilo, mas achei lindo… eu estava muito feliz.

E assim, como um Forrest Gump porto-alegrense, sem nem entender direito, eu acabara de participar de um momento profundamente histórico. Eu havia engrossado, sem saber, as fileiras do “Fora Collor”.


Um Salto para o Futuro

No comecinho dos anos 90, o então governador Alceu Collares criou um projeto que parecia maluquice na época: aulas de informática para alunos da rede pública.

Computadores eram máquinas caras, que pouca gente sabia usar, e este projeto – chamado Um Salto para o Futuro – soava como coisa de ficção científica para muita gente.

Eu acabei sendo selecionado e, embora já soubesse usar o MS-DOS e até programar em Basic, frequentei as aulas. Aqueles “modernos” AT/XT de tela verde-e-preta tinham um charme irresistível para mim.


Era um garoto, que como eu…

Depois de ser uma criança dos anos 80, chegou a hora de eu ser um adolescente dos anos 90.

Minha adolescência começou, de fato, quando eu e meus amigos começamos a descobrir umas bandas, tipo Ramones, Iron Maiden, Guns n Roses e afins. Depois, eu fui reprovado na sétima série e tive que repeti-la, em uma turma cheia de gente que eu não conhecia. Fiz amizade com uns caras diferentes, muito legais, e que já iam a festas e bares.

Foi com esse pessoal que eu fui finalmente apresentado à noite porto-alegrense dos anos 90.

Isso foi um marco bem importante da minha juventude.

A partir daí, o grande cenário da minha adolescência foram as ruas do Bom Fim e os arredores do Parque da Redenção. Destaque especial para a avenida Osvaldo Aranha. Peguei uma fase final do Bar João, ia ao Garagem Hermética, ao Ocidente e àquele tradicional circuito da Cidade Baixa.

Era um ambiente muito legal, frequentado por umas pessoas estranhas, alternativas.

Estávamos no meio de uma segunda onda do rock gaúcho com os ídolos da “primeira onda” ainda “na ativa”, perambulando e tocando nos bares das redondezas. Havia todo um clima de efervescência cultural por ali no finalzinho do século XX.


Os primeiros filmes

Eu sonhava em ser cineasta. Eu passava noites assistindo a filmes mudos e produções obscuras, observando enquadramentos e técnicas, que depois tentava reproduzir com uma câmera VHS usando os amigos e parentes como elenco. Eram filminhos caseiros, todos eles comédias (mesmo que involuntárias). Trash total. Um Ed Wood porto-alegrense.

Algumas das minhas “super produções” acabariam, depois (já no final da década e começo dos anos 2000) fazendo parte da programação da extinta POATV e permaneceram no ar por anos, em um bloco de curtas que o canal tinha.

Eu perdi quase tudo o que gravei na época – em grande parte dos casos, por simples decaimento químico das fitas. São todos “lost films”. Só tenho, mesmo, o último deles – bem tardio e, mesmo assim, mal conservado – que consegui digitalizar e imortalizar no Youtube. É uma obra que serve de exemplo do tipo de coisa que andávamos fazendo naqueles tempos.


O Ensino Médio e o primeiro contato com a Internet

Todas essas minhas “aventuras de artista” aconteciam no meu tempo livre, porque eu continuava indo à escola normalmente.

No final da oitava série, em 1996, eu havia encarado o teste seletivo para fazer o Ensino Médio na Escola Técnica de Comércio da UFRGS, e acabei passando em quinto lugar. Ingressei na ETC-UFRGS no começo de 1997 e acabei escolhendo o curso técnico em Contabilidade para tentar seguir os passos do meu pai.

A escolha do curso de Contabilidade foi infeliz, pois descobri que a matéria me dava um profundo tédio, colocando-me em um estado quase comatoso de torpor.

Então, eu me refugiava no laboratório de informática. Lá, eu tive pela primeira vez contato com a Internet – quase ninguém sabia o que ela era, e menos gente ainda tinha acesso. Eu não apenas navegava nela mas também tive meus primeiros contatos com a internet e aprendi HTML, montando meus primeiros sites (cheios de GIFs animados e bizarrices típicas de páginas dos anos 90).

Aquela foi uma época muito louca. Eu tinha um amigo que vivia conversando no mIRC, e nós fomos provavelmente a primeira geração de guris que arrumaram namoradinhas através da web em Porto Alegre.

Foto de 1999. Meu primeiro carro foi um Buggy!

Coração de estudante…

Foi no “Segundo Grau” (é… eu vou velho) que eu comecei a me envolver com movimento estudantil.

Em 1999, uma mudança na Lei de Diretrizes de Bases da Educação acabou com a possibilidade de os alunos cursarem o ensino médio concomitante ao curso técnico na Escola Técnica da UFRGS, da qual eu era aluno.

O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso queria extinguir imediatamente as turmas do ensino técnico, redirecionando os estudantes para escolas de ensino médio comuns.

Nós, que havíamos ingressado na instituição através de uma concorrida prova de seleção, considerávamos que a manutenção dos cursos em andamento era nosso direito adquirido.

Então, fomos às ruas. Trancamos a Avenida Ipiranga algumas vezes, enfrentamos a Brigada Militar. Em resumo, cumprimos todo o “roteiro” de um protesto estudantil típico.

E no fim, valeu a pena. Ganhamos o direito de concluir o Ensino Médio lá mesmo.


Minha primeira filiação partidária

No começo de 2000, o PSTU organizou uma festa punk no terraço do prédio das Casas Tigre, na Avenida Azenha.

Eu e uns amigos nos vestimos com nossas roupas mais elegantes (camisetas de banda e calças rasgadas) e fomos. Estávamos lá, inicialmente, pela zoeira e pelas gurias mas eu acabei sendo fisgado pelo discurso dos caras.

Entrei para o partido e fiquei nele por alguns meses. Nunca cheguei a me tornar um grande trotskista mas eu adorava aquele clima geral de “vamos botar tudo abaixo” que só o PSTU tinha.


Um comediante batendo na porta da UFRGS

Vencido o Ensino Médio, chegou a hora de fazer o vestibular. Eu não sabia bem o que queria fazer da vida, mas tinha uma única – e sólida – certeza: eu estava resolvido a não ter uma vida chata e a não ter um trabalho burocrático.

Isso era a coisa mais importante do mundo para mim. Mais importante do que ficar rico ou ter cargos “respeitáveis”. Era minha ideia central. Meu único plano de vida.

Depois de botar o pé na água da contabilidade e me recusar a mergulhar nela, eu faria algo LEGAL, algo AFÚ!

Por isso, minha chegada à faculdade foi permeada de episódios insólitos.

Em 2000, prestei teste específico para o curso de Artes Cênicas (hoje chamado de Teatro) na UFRGS. Entrei na sala interpretando um bêbado maluco em uma cena que deveria ser dramática (eu não havia entendido o contexto do roteiro). Mesmo assim, fui aprovado porque os julgadores morreram de rir e acharam que eu levava jeito para a comédia.

No fim das contas, eu resolvi não fazer Artes Cênicas – após ser insistentemente alertado de que eu iria “passar fome” com um diploma nesta área, acabei escolhendo outra coisa mais convencional. Fui fazer Jornalismo na PUC.


Forrest Gump do nascimento da internet sem fio

Eu lembro como se fosse ontem: cheguei à faculdade um dia, no começo do curso, e havia um professor carregando um notebook, e um aluno com uma câmera (analógica, de fita) ligada a ele através de cabos RCA (antigamente haviam placas que permitiam isso).

A uns 10 metros dali, na parede do prédio, havia um estranho aparato preso à parede.

E apesar de não haver fio nenhum ligado ao notebook, um outro professor lá dentro do laboratório de informática estava vendo as imagens captadas pela câmera.

Eu acabara de presenciar um dos primeiros testes (pelo menos, um dos primeiros em Porto Alegre) do que hoje conhecemos como Wi-Fi.


Um jornalista em formação

A escolha do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo não foi aleatória: eu lia muito e sabia que tinha habilidades como escritor.

Meus tempos de faculdade foram efervescentes. Conheci um monte de gente legal e participei de alguns projetos bem interessantes. Fui a festas, e tudo mais.

Eu tinha um foco muito claro na minha formação. Eu já sabia HTML, tratei de aprimorar meu texto, aprendi muito sobre foto e descobri que gostava de diagramar páginas de jornal. Na verdade, me destaquei nisso.

Acabei sendo chamado para trabalhar como monitor no laboratório de edição gráfica. Isso aliviava o valor das minhas mensalidades e foi muito importante porque, anos depois, eu acabaria fazendo este tipo de trabalho em vários jornais.

Foi nessa época, também, que comecei a namorar com a mulher que me daria meus dois filhos, a Fabiana.


Anos rebeldes

Quando cheguei à PUC de Porto Alegre o Diretório Central dos Estudantes estava nas mãos de um mesmo grupo desde 1990, e as eleições eram shows de falta de transparência.

Fora o grupo dominante, tínhamos o Movimento Plural, centrista; havia minha pequena turma, ligada ao PSTU; e a juventude do PCdoB tinha uma certa presença, liderada pela Manuela D’Ávila, que àquela altura ainda não era famosa, mas já se destacava.

Existiu até um “jornal da oposição” criado por nós, alunos da Faculdade de Comunicação, reproduzido à base de Xerox. Típico panfleto juvenil, rotulava os adversários de “fascistas” e coisas do tipo.

Em uma dessas eleições, montamos barracas e passamos noites em vigília, tentando evitar o “sumiço” de urnas. Trancamos a Avenida Ipiranga, enfrentamos a segurança do Campus e a Brigada Militar. No fim, não ganhamos. Mas plantamos uma semente, que daria frutos anos depois e levaria nossos “sucessores” nessa briga a vitórias importantes.


Formatura em Jornalismo, em 2005 – PUCRS.

Fábio para Prefeito (como assim?)

O ano era 2004. Eu era um gurizão abobado e não tinha pretensões reais de concorrer a nada. Mesmo assim, me lancei candidato, só de zoeira. Lancei na internet uma campanha (fake, é claro) para prefeito da capital gaúcha.


O começo da vida adulta e meu primeiro jornal

Eu comecei a atuar na imprensa, na cidade de Viamão, ali por 2003 fazendo uns “frilas” para o jornal “A Tribuna” (do meu falecido amigo – e até certo ponto mentor – José Paulo Corrêa Lopes). Em 2004, quase me formando e precisando arrumar uma renda, eu fundei meu próprio jornal, o “A Cidade“.

Capa da primeira edição do A Cidade.

No fim das contas, a curto e médio prazos essa foi uma péssima ideia porque esse jornal acabaria falindo e me deixando muito enrolado em dívidas.

A longo prazo, no entanto, essa aventura renderia frutos e talvez tenha até valido a pena pois, ali, eu aprendi na prática muita coisa sobre reportagem, edição, foto e diagramação. Além disso, comecei a alcançar alguma projeção local como jornalista, e acabei participando de um movimento de comunicadores e artistas que estava acontecendo ali na época.

Viamão, no começo do século XXI, vivia uma mini-explosão cultural na qual proliferavam bandas de rock, grupos de teatro, rádios comunitárias e outras maluquices do tipo, no meio das quais um indivíduo como eu encontrava espaço para expandir-se.

O “A Cidade” dava muito apoio a novos artistas. Além disso, tinha muito conteúdo do tipo “buraco de rua”, pressionava o governo por melhorias e dava voz a vários movimentos na cidade. Procurava ajudar iniciativas positivas, inclusive no campo do esporte.

Na foto acima, uma homenagem que recebi da Federação Gaúcha de Taekwondo pelo trabalho de divulgação da equipe local, quando ela ainda não contava com o prestígio que tem hoje.

Eu levava muito a sério meu papel de “homem de imprensa” embora fosse, na verdade, pouco mais que um guri, iniciando a vida.

Quando me formei na faculdade em 2005, o jornal estava bombando – a grana era curta, mas eu conseguia fazer edições com capa colorida e tiragens numerosas. Então, embora fosse preciso correr toda semana para pelo menos pagar a gráfica, eu acreditava que o jornal se consolidaria e eu poderia viver dele.

A Fabiana me ajudava com o negócio, fazendo vendas de espaços publicitários e especialmente a cobrança.

Naquele mesmo ano, nos casamos e começamos nossa vida juntos em Viamão.

O grande problema é que, logo depois, nosso jornal entrou numa trajetória inequívoca rumo à falência.

Em termos editoriais, ele ia bem. O A Cidade tinha uma certa “moral” por ser um jornal meio “fora da curva”, inspirado um pouco no Meia Hora e um pouco no Pasquim. O projeto gráfico acabaria sendo muito copiado depois, e algumas capas que seriam lembradas pelas pessoas mesmo anos depois.

O problema era na área comercial: eu tive que contratar vendedores, e um deles chegou a cobrar anunciantes e sumir com o dinheiro. Tomei um monte de calotes. Enfim. No final de 2005, pouco antes de completar o primeiro aniversário, o Jornal A Cidade quebrou.

Eu fiquei algum tempo meio “perdidão”, mas não tive tempo de raciocinar muito. Minha esposa estava grávida da nossa primeira filha.

No verão de 2006, eu fiz o primeiro dos meus muitos “bicos” nessa época: fui redator do Terra por dois meses (escrevendo a editoria de “notícias bizarras“). Nessa época, eu fui morar na casa da minha sogra.

Logo em seguida, em Abril de 2006, nasceu a nossa primeira filha, a Camila.

Camilinha.

Eu estava feliz de ter um bebê mas isso significava, também, que eu tinha uma enorme responsabilidade nas mãos. O que até nem seria um problema, não fosse o fato de eu ter também também enormes dívidas com gráficas e bancos, e nem um único centavo no bolso. Além disso, eu não tinha nenhuma fonte de renda. Teria que me reinventar do zero.


O ano das vacas magras

Falido, desempregado e com uma filha, eu encarei uma fase de muita dureza na minha vida.

Recém saído do meu paraíso bomfiniano de classe média, fui viver – sem grana para nada – em uma casinha alugada, de madeira, que tinha mais goteiras do que telhado.

Eu não conseguia arrumar emprego fixo e só não chegamos a passar fome (embora tenhamos passado perigosamente perto disso) porque os meus pais nos deram uma baita ajuda. O problema é que eu sabia que eles não poderiam nos carregar “a reboque” indefinidamente, então eu precisava me estruturar, e rápido.

Eu corria toda a região metropolitana procurando trabalho. E não me limitava à área da Comunicação – eu me candidatei a vagas diversas, inclusive para porteiro, para o que fosse.

Por alguns meses, eu fui ainda colunista e diagramador do Correio Viamonense, fundado pelo amigo Daniel Jaeger Marques, que havia sido colunista do meu próprio jornal no ano anterior. O “Correio” era um jornal absurdo, cujo “mascote” era uma versão cartunesca do Elvis Presley. Inicialmente concebido como um semanário, logo (por pura falta de grana) virou um “de-vez-em-quandário”. Esse foi o primeiro de muitos jornaizinhos efêmeros dos quais participei em Viamão.

O Correio não me pagava nada – afinal, era mais um pasquim viamonense de baixíssimo orçamento – mas me dava espaço para fazer algumas permutas. E na situação em que eu estava, qualquer coisa era lucro.

Até que, um dia, surgiu uma esperança no horizonte:

Anunciaram o lançamento de um projeto nunca antes visto em Viamão – um jornal de circulação diária. Eu depositei nisso minhas últimas esperanças de viver do jornalismo. Fui lá pedir emprego. E embora o editor-chefe (o Carlos Dickow) até apoiasse a minha contratação, não rolou.

Este foi um evento bem traumático para mim.

Quando as portas do Diário de Viamão se fecharam na minha frente, eu comecei a me preparar para aquilo que eu mais temia na vida: eu fui me qualificar para uma carreira (não um emprego temporário, mas uma vida toda) fora da minha área de interesse.

Foi quando comecei um curso de Técnico em Informática, na escola Objetus (que já não existe mais). Para pagar o curso, peguei um estágio no gabinete do vereador Romer Guex, meu amigo (na época e acho que para sempre).


Pioneirismos por curiosidade e necessidade

Eu estava filiado ao PDT desde o final de 2005. No partido, tive minhas primeiras experiências em assessoria de imprensa, a princípio voluntariamente e depois, por alguns meses, no gabinete do Romer.

Foi assim, por exemplo, que o PDT-Viamão tornou-se o primeiro diretório de partido político da cidade a ter um site na internet. Hospedado no Tripod, mas ok. Já era algo.

Em 2006, quando o Romer entrou em pré-campanha, resolvi tentar algo novo e criei o primeiro site “tableless” – sem tabelas, ou seja, usando apenas CSS para sua formatação – de Viamão.

Ele tinha inicialmente alguns problemas porque os navegadores da época ainda não haviam convergido totalmente em torno dos padrões W3C. Mas ok.

Ao longo da vida, movido quase sempre pela necessidade, pela curiosidade ou pelas circunstâncias, eu acabaria sendo pioneiro em um monte de coisas na cidade.


As eleições de 2006

Em 2006, “empregado” (estagiando) na Câmara Municipal, eu saí às ruas pedindo votos justamente para o Romer, que tentava eleger-se deputado estadual.

De quebra, participei da última campanha eleitoral do ex-governador Alceu Collares, quando ele tentava voltar ao Palácio Piratini em 2006.

Eu sempre gostei do Collares, talvez até por influência da minha mãe, que é fã incondicional dele.

Depois dessa eleição, houve uma grande briga dentro da sigla e cada um saiu correndo para um lado. Mas continuei fã do Brizola e continuarei para o resto da vida.


O polêmico (e surreal) Blog

Eu não tinha mais um jornal, meu candidato nas eleições havia perdido. Eu precisava de um espaço de mídia para continuar tendo alguma relevância em Viamão.

Então, resolvi lançar um blog.

Comecei me aventurando no Blogspot. Mais tarde, eu acabaria desenvolvendo um site com programa próprio, feito em PHP.

Meu blog era principalmente sobre a política local, normalmente levantando algumas polêmicas. Ele duraria muitos anos e foi com ele que fiz parte da primeira geração de comunicadores da internet em Viamão.

Ao longo da vida, movido quase sempre pela necessidade ou pelas circunstâncias, eu acabaria sendo pioneiro em um monte de coisas na cidade.


Um hiato em Porto Alegre

Não havia como continuar morando em Viamão. A cidade era famosa pela escassez de empregos. Então, no finalzinho de 2006, nós fomos morar em Porto Alegre, no bairro Partenon – no mesmo prédio onde eu tinha passado meus primeiros dois anos de vida. Tudo por obra e graça dos meus pais, claro.

Por algum tempo, segui mais ou menos “na merda” – porém, apesar do aperto financeiro, eu não larguei meu curso técnico. Eu sentia que, daquilo ali, sairia alguma coisa.

Então, consegui um estágio na Prefeitura de Porto Alegre cuidando do laboratório de informática de uma escola na parada 12 da Lomba do Pinheiro. Isso, claro, não era o emprego que eu tanto precisava, mas acabaria me dando uma experiência importante para o que viria a seguir.

Nesta época, o que pagava minhas contas eram uns projetos de informática que eu desenvolvia com o meu pai e alguns trabalhos temporários aleatórios, nos quais eu descolava uns trocos aqui e ali.


Professor Fábio

Essa situação prosseguiu até maio de 2007. Foi quando a coisa mais incrível me aconteceu: eu arranjei um emprego fixo – carteira assinada e tudo – como instrutor do Senac.

E aí, iniciou-se um baita período da minha vida. Eu comecei a me reerguer, e não só financeiramente.

Eu adorei dar aulas. E descobri que eu conseguia fazer isso muito bem por pura habilidade natural, mesmo sem ter uma formação prévia para ser professor.

Aquilo foi uma grande injeção de ânimo no meu coração porque eu já não me sentia um total incompetente nesta vida.

Enquanto lecionava, escrevi minhas conhecidas apostilas de informática, que acabariam depois se espalhando pelos fóruns da web e sendo úteis a milhares de pessoas em todo o Brasil por muitos anos, e que deram origem, mais adiante, aos meus livros didáticos publicados pela Editora Viena.

Aquilo foi um verdadeiro renascimento.


O dia a dia no Senac

Minha rotina no Senac era pesada, eu dava aulas em todos os turnos que podia (pois ganhava por hora-aula) e, como havia sido contratado pela unidade de São Leopoldo, eu pegava o metrô de madrugada, chegando em casa quase sempre à meia-noite.

Eu dormia entre 3 e 4 horas por noite, preparava aulas nos domingos e mal via minha esposa e minha filha.

Por outro lado, aprendia coisas interessantes todos os dias e fui ganhando “experiência de palco” na sala de aula. Depois de algum tempo, estava até apresentando pequenas palestras em alguns eventos em São Leopoldo.

Me deram até uma turma do Planteq, que era um programa semelhante ao atual Jovem Aprendiz. E eu descobri que ser mentor da gurizada era um dos sentidos da minha vida.

Eu, na sala de aula, conheci aquilo que Nietzsche descreveria como momentos eternos, dentro da visão positiva do seu conceito de “eterno retorno”.

Na foto acima, a formatura de uma turma. A meninada havia me escolhido como paraninfo.

Este foi com certeza o emprego com mais senso de significado que eu tive, pelo menos nas minhas primeiras quatro décadas de vida.


O primeiro concurso e a nossa casinha no campo

Na segunda metade de 2008, eu estava cansado de não ter uma renda estável (receber por hora-aula significava que, ao final de cada turma, eu ficava “na berlinda”, sem saber o que iria acontecer). Então, fui atrás de um emprego mais “normal”. Consegui achar vaga como programador em uma empresa chamada WaySys… e fiquei umas quatro ou cinco semanas nela, enquanto seguia dando aulas à noite.

Aí de repente, em Agosto, tudo mudou: eu larguei de vez o Senac e a WaySys quando recebi a notícia de que havia passado em um concurso público da CEEE e estava sendo chamado para assumir a minha vaga.

O salário inicial era meio fraco mas eu, pensando na segurança da minha filha, estava de olho era na estabilidade financeira que só um emprego público poderia me proporcionar.

Ainda por cima, eu dei um jeito de me botarem a trabalhar na unidade de Viamão e nós conseguimos voltar para a cidade onde nossa família começou.

Tudo se encaixava.

Compramos uma casinha no distrito de Águas Claras – uma região que, na época, tinha mais vacas do que gente (hoje é um pequeno centro urbano). Essa casa, aliás, foi onde moramos por dez anos (de 2008 a 2018) e foi nela que criamos a Camila e tivemos o nosso segundo filho, o Gabriel, nascido em 2012.

Nossa linda casinha no campo – ela depois passaria por inúmeras reformas e ampliações até virar uma casona.
A Camila passou um tempão pedindo “um maninho” até que ganhou o maninho mais fofo de todos, o Gabriel.

Morar na zona rural dava um certo trabalho – era preciso usar o carro para tudo – mas tinha muitas vantagens.

As crianças cresceram com espaço para correr e brincar, com balanços pendurados em árvores e coisas do tipo. Fizeram amiguinhos e puderam aproveitar uma infância absolutamente inimaginável para a maior parte das crianças de hoje em dia.

Tivemos cachorros, tentamos plantar uma horta… etecetera e tal.

Meu sobrinho e meus filhos em Águas Claras, não sei direito a data desta foto.

As eleições de 2008

Entrar para os quadros da CEEE me permitiu voltar a viver em Viamão. E eu me (re)estabeleci na cidade logo antes das eleições municipais de 2008. Infelizmente, não pude concorrer porque ainda estava no período de experiência do novo emprego.

Mas eu participei como vice-presidente municipal do PTdoB, (hoje Avante). A história foi a seguinte: o PMDB tinha muitos pré-candidatos a vereador, e a gente acabou montando esta legenda para abrigar os excedentes e dar uma força à candidatura a prefeito.

Em resumo, eu vice-presidi um “partido de aluguel”.

Passei a agir como presidente de facto depois que o titular teve alguns atritos com a cúpula emedebista. Eu tinha a ajuda do secretário da sigla, meu amigo Gabriel Cavalcante, nesse complô. Nós éramos a “tropa de choque” da direção do PMDB dento do PTdoB.

Na foto acima, eu estou no canto esquerdo, e o Gabriel no canto direito: a famosa “turma do Sarico” em ação.

Já fui muito criticado por ter assumido esse “serviço sujo” mas eu não sinto vergonha alguma do que fiz.

Esse foi meu primeiro grande aprendizado sobre as engrenagens da política (aproveitado, depois, no livro “Política para Iniciantes“). Conheci pessoas interessantes e fiz grandes amigos nessa época.


Como eu não iria concorrer em 2008, resolvi apoiar o Valdir Elias, conhecido popularmente como Russinho. Ele estava sem mandato há alguns anos e tentava voltar à política. Russinho se elegeu naquele ano pelo PMDB e, dois mandatos depois, em 2016, ele chegaria a vice-prefeito. Em 2020, com o afastamento do titular, ele assumiu a cadeira. Infelizmente, morreu no exercício do cargo, vitimado pela Covid-19. Era um grande cara.

Após o fim das eleições em 2009, eu fui incorporado ao “partido-mãe”, o PMDB. Já o PTdoB, não sei… acho que ficou à deriva.

Eu ainda tinha idade para ser membro da Juventude.

A foto abaixo é de 2010, quando fiz parte da Executiva Municipal da JPMDB em Viamão.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é 2010-juventude-do-pmdb-1024x607.jpg

Quase sete anos morto-vivo na CEEE

Trabalhei na companhia de 2008 a 2015 e, na verdade, minha “carreira eletricitária” não foi grande coisa.

Ela teve alguns aspectos positivos – para começar, como eu fazia um monte de capacitações, ascendi muito rapidamente no Plano de Cargos e Salários, o que me deu uma melhora substancial de renda já em 2011 (não que eu tenha ficado rico, mas deu para respirar mais aliviado).

Meus colegas na unidade – e até mesmo os primeiros chefes locais com quem trabalhei – eram pessoas legais, amigos mesmo.

Por outro lado, eu não gostava de trabalhar na CEEE. As chefias por lá eram ocupadas por indicação política, criando um ambiente de instabilidade e intrigas. Eu e alguns dos meus colegas vivíamos muito sobrecarregados e o trabalho que eu fazia era burocrático, muito chato e absolutamente contrário à minha natureza. A Companhia era muito mal gerida, e isso refletia-se em estresse para nós.

Resumindo, eu gostava das pessoas, dependia desse serviço, mas detestava o que fazia.

Meu foco permanecia nos projetos FORA do horário de expediente.


Minha “Era de Ouro” nos jornais impressos

Ali pelo final de 2008, meu blog começava a ganhar uma certa audiência – Viamão ia ingressando meio tardiamente na era digital – mas, naquela época, a força ainda estava na imprensa de papel. E eu buscava meu “lugar ao sol”.

Eu já não queria mais ser um jornalista no sentido “clássico” – um repórter, por exemplo. Isso só seria possível se eu vivesse de jornalismo, trabalhando com isso no horário comercial e eu já havia fechado essa porta dentro da minha cabeça há uns dois anos e meio, depois do “balde de água fria” que recebi no lançamento do Diário de Viamão.

Minha aposta era tentar me firmar como “opinador”. Para isso, bolei uma estratégia pecular: fiz uma extensa mailing list para a qual enviava textos a um grande número de jornais em todo o Rio Grande do Sul. Eu consegui aparecer como “colunista ocasional” em jornais aqui e ali, em cidades como Uruguaiana, Panambi, Alvorada, Osório… mas esse projeto não deu em nada.

Eu era também bastante ativo na localidade onde morávamos e cheguei a ser apresentador de um programa na rádio comunitária do Morro Grande. A atração era uma mistura caótica de música, entrevistas e notícias. Isso, se não me engano, foi em 2009.

No começo de 2009 – eu, naquele meu momento “meio jornalista e meio político” – fui contratado para ser editor e diagramador do jornal mensal Esperança, com circulação na cidade de Vespasiano Corrêa, “pingando” em Muçum, Dois Lajeados e São Valentim do Sul.

Artur Gattino, Alexandre Fávero e eu: o trio do terror do jornal Esperança. E também, capas de algumas edições.

Era um jornal patrocinado por um grupo com objetivos políticos. Mesmo assim, eu adorava esse projeto. Não só porque ele me serviu de renda complementar por anos, mas também porque eu tinha muita liberdade de criação e uma coluna fixa, que me tornava conhecido diante de um público novo.

Nas poucas vezes em que visitei Vespasiano Corrêa, fui recebido com carinho por parte do povo (uma outra parte, compreensivelmente, odiava o Esperança).

Meu grande veículo de comunicação da década, no entanto, foi o retumbante (e controverso) Jornal Sexta, fundado em 2010 em Viamão, por um grupo de quatro amigos: eu, o Daniel Jaeger Marques (idealizador do projeto e meu parceiro de muitas caminhadas), o Hélio Ortiz (ex-secretário municipal da Cultura), e o indelével Vilson Arruda Filho (professor da Escola Técnica de Agricultura).

Daniel, eu, Hélio e Arruda: os conspiradores por trás do Jornal Sexta.

Era um quarteto bem interessante, composto por dois “guris” da nova geração e por dois veteranos que haviam feito parte da redação do legendário Jornal Quarta-Feira, lá no final dos anos 80 e início dos 90. O nome “sexta-feira”, aliás, era uma homenagem, e a gente tinha mesmo a ideia de resgatar o “espírito ao estilo Pasquim” do velho Quarta.

O resultado foi um jornal que marcou época, com uma mistura de polêmica, jornalismo investigativo “raiz” e muito deboche. Tinha até um lado experimental, meio surrealista. Atingiu o auge, em termos de relevância, justamente durante as eleições municipais de 2012.

Eu cheguei a pensar em concorrer naquele ano, mas minha esposa estava passando por problemas de saúde e nós estávamos passando por sérias dificuldades financeiras.

Dediquei minha energia ao Sexta, e nós conseguimos ter um papel relevante no resultado eleitoral da disputa pela Prefeitura naquele ano. Talvez aquele tenha sido o momento de maior influência política da minha juventude.

No canto superior esquerdo, a capa da primeira edição do Sexta: humilde, em preto-e-branco. O jornal depois ganharia cores, mais páginas e tiragens enormes.
Na volta, algumas edições da minha coluna de página inteira, quase sempre marcada por um discurso crítico meio escrachado
.

Logo depois do auge, já em 2013, este jornal começou a entrar em um lento processo de declínio.

O Sexta impresso circularia regularmente até 2015, entrando em um hiato até voltar às ruas em 2017 – a partir daí, teve vários “voos de galinha”, sumindo e voltando à vida algumas vezes até falecer de vez em 2019.

Mas não nos adiantemos…

Ali por 2013, eu fui contratado ainda para criar o projeto gráfico, co-editar e diagramar o primeiro (e único) jornal totalmente colorido de Viamão. Chamava-se “Águas Claras do Sul“, e circulou como semanário por alguns períodos, como um jornal quinzenal em outros e, no final, saía quando dava. Foi um dos últimos impressos a surgir na cidade. Aquela era uma fase tardia, meio “fim de festa”, da imprensa de papel.

Eu, que havia me destacado justamente nos campos gráfico e da escrita, me agarrei enquanto pude ao meio impresso.

Editei jornais de papel até onde me foi possível.

Algumas capas do jornal Águas Claras do Sul, com meu estilo característico.

Lançamento dos livros pela Editora Viena

O começo dos “anos 2010” foi uma época muito prolífica para mim. Não só pelos jornais mas porque foi nela, também que escrevi meus primeiros livros a serem publicados por uma editora de verdade.

Especificamente, livros de informática que produzi para a Editora Viena.

O primeiro deles foi também o que alcançou maior sucesso: “Programando em PHP” saiu em sua primeira edição ainda em 2011 mas foi a segunda, de 2013, revisada e ampliada, que estourou – vendendo mais de 10 mil exemplares até hoje.

Eu escrevi, na mesma época e também para a Editora Viena, um outro livro – sobre SQL e bancos de dados – que teve uma vendagem mais modesta. Ainda assim, os direitos autorais desta obra – que “pingavam” a cada trimestre – garantiram a Páscoa, o Dia das Crianças e o Natal dos meus filhos por alguns anos.


2013: #VemPraRua

Ah, 2013… o Brasil inteiro levantou-se, cansado da corrupção e do descaso da classe política.

Eu participei das duas grandes passeatas ocorridas na cidade de Viamão – e na segunda delas, eu estava na linha de frente.

Tínhamos pautas diversas: saúde, transporte, etc.

Aquele foi o primeiro grande movimento de massas organizado pelas redes sociais e eu, de alguma forma, já tinha noção de ser aquele um momento relevante da História do Brasil.

Olhando em retrospecto, talvez tenhamos dado vida a um “monstro” que viria a nos engolir depois. Mas na época, a gente sentia que não dava para ficar quieto.


O fim da linha na CEEE

Sejamos práticos e honestos: embora eu ganhasse destaque e até alguma grana com meus livros e jornais, eu seguia dependendo do trabalho na CEEE para sustentar minha família.

Esta realidade diária me deixava muito “para baixo”, ainda mais porque a rotina dentro da firma foi ficando cada vez mais insuportável.

A Companhia estava praticamente falida, nossos salários iam perdendo poder de compra a cada ano, falava-se em privatização. Foi surgindo um ambiente tóxico, de desaforos e cobranças constantes, rixas entre os colegas, ameaças de demissão. Para piorar, a chefia da agência de Viamão estava nas mãos de uma das pessoas mais detestáveis que eu conheci na vida.

Eu fui aguentando isso até que, em 2014, surgiu minha grande oportunidade para chutar o balde.


A Grande Greve de 2014

A categoria dos eletricitários vinha sendo massacrada há tempos. Até que a corda arrebentou. A coisa começou com os eletricistas nos pátios da CEEE e foi se espalhando.

Eu organizei a assembleia na unidade de Viamão, e depois fiz parte do comando de uma greve que paralisou toda a área de concessão da CEEE Distribuição por um mês, durante o governo Tarso Genro.

Foi a primeira vez, em duas décadas, que a categoria fez algo dessa magnitude. Essa greve acabou criando uma cultura de mobilização que duraria até o movimento contra a privatização da CEEE.

Esta greve foi também minha primeira experiência de liderança.

Eu tenho orgulho das posições que defendi – a principal delas foi vetar a participação de políticos e a partidarização da luta. Eu dizia “nós não somos o CPERS, nossa única bandeira é o reajuste e um plano de carreira decente”.

E no fim, esta foi uma decisão acertada. Porque a turma era politicamente heterogêna, com gente de direita e de esquerda. A neutralidade neste sentido impediu que as querelas ideológicas rachassem a categoria e esvaziassem o movimento.

Outra memória marcante da paralisação foi a intensa agenda de reuniões com políticos que tentavam mediar uma solução entre nós e o governo.

Eu, que até então só tinha habilidades como agitador, criador de panfletos e baderneiro, comecei a aprender as artes da negociação e da diplomacia. E isso foi, para mim, uma espécie de rito de passagem para a maturidade.


As eleições sindicais de 2014

A greve havia forçado uma trégua na briga entre a direção do Senergisul e a oposição dentro do movimento sindical. Tivemos que trabalhar juntos.

Foi por isso que eu, apesar de ser do grupo “do contra”, acabei recebendo a incumbência de fazer a assembleia na minha unidade e depois tive um papel destacado na greve em si.

O problema é que semanas após o fim da paralisação nós teríamos eleições sindicais. Então, as velhas rixas afloraram novamente e os dois lados partiram para fazer campanha.

Eu concorri como 2º vice-presidente da Chapa 2 nestas eleições de 2014 pelo controle do Senergisul.

No fim das contas, apesar de termos feito uma corrida intensa e do maciço apoio dos empregados ativos, nós perdemos. O fiel da balança foram os aposentados.

Mesmo assim, aquilo marcou época. Foi a primeira vez, em uma década, que a direção do sindicato teve que enfrentar alguma oposição.

Depois, eu acabei ficando amigo de todo mundo – até dos nossos adversários. Ainda lembro do pessoal deles vindo se despedir de mim, quando saí da CEEE.


As eleições MESMO de 2014

Para completar o ano cheio de atividades políticas, eu me envolvi nas eleições de 2014, apoiando meu amigo Geraldinho.

Esse cara tem uma história eleitoral bem peculiar. Anos antes, ele havia entrado no Congresso Nacional quase por acaso.

Geraldinho havia dado um “pé quente” em 2006 – com pouco menos de 8 mil votos, acabou ficando de primeiro suplente da bancada federal do PSOL.

Quando Luciana Genro (a puxadora de votos da legenda no RS) se afastou do cargo, de Agosto a Dezembro de 2009, Geraldinho transformou-se no primeiro (e até hoje único) deputado federal da história de Viamão.

Em 2014, ele tentava uma vaga de Deputado Estadual pelo PSB. Era a melhor aposta – um nome competitivo para representar uma cidade de “azarões” eleitorais.

Fizemos campanha como loucos, mas não deu pé – com 12 mil votos, ele não chegou lá.


Concurso na Receita Federal

Imaginem: eu estive na linha de frente de uma greve. Depois, passei semanas entrando em unidades e fazendo barulho por conta da eleição sindical. Aquilo “selou” meu destino dentro da CEEE.

E tudo bem: àquela altura, eu já estava mesmo resolvido a ir embora. Só que eu precisava arrumar outro emprego antes de “pedir as contas”.

Por sorte, naquele mesmo ano abriu um concurso do Ministério da Fazenda. E eu acabei me classificando muito bem.

Alguns meses depois, na quarta-feira de cinzas (18 de fevereiro) de 2015, eu enviei uma mensagem de despedida a todos os e-mails de todos os colegas, fui até o prédio da administração na Avenida Ipiranga, entreguei meu crachá e assinei minha demissão na CEEE.

No dia seguinte, assinei os papéis e oficialmente ingressei no quadro funcional da Receita Federal.

Nesta nova organização, encontrei uma realidade bem melhor – não só em termos de perspectivas mas também de ambiente de trabalho. Este novo emprego foi uma “tábua de salvação” vinda na hora certa.

Ao contrário do que o senso comum possa acreditar, eu não passei a ganhar um super-salário no Governo Federal. Na realidade, como fiz concurso para um cargo administrativo, entrei na Receita ganhando praticamente a mesma coisa que ganhava na CEEE.

Apesar da “mesmice” em termos financeiros, aquela mudança foi o estopim para algumas decisões bem importantes. Foi um ponto de virada.


A “virada de chave” para o audiovisual

Ainda em 2015, tirei meu velho blog do ar. Ele já estava mesmo morto há tempos. Eu até lancei alguns blogs de informação segmentada sobre filmes, games e música mas, apesar de eu ter me divertido muito escrevendo-os, eles não juntaram público algum.

Estávamos em meio ao “ocaso dos blogs“. A nova onda eram os vídeos… então, resolvi fazer videos.

Em 2016, eu criei um canal no Youtube. Comecei fazendo comédia mas logo mudei de perspectiva e a coisa transformou-se em um videolog aleatório.

Meu objetivo de vida era virar uma celebridade e ser “vlogueiro” me parecia, àquela altura, um caminho natural. Eu me espelhava em figuras como Whindersson Nunes, PC Siqueira, Felipe Neto, Kéfera, Luba, etc.

Nessa mesma época, diante do visível declínio do nosso jornal impresso, eu e meus amigos do Sexta começamos a nos aventurar com vídeos ao vivo.

Nossa ideia era fazer um “Manhattan Connection” viamonense. Mas tínhamos como modelo, de fato (embora distante) os Guerrilheiros da Notícia.

Lançamos o JS Debates, transmitido todas as segundas-feiras pelo Facebook.

Esse programa foi um grande sucesso de audiência para os padrões locais da época, especialmente nas primeiras edições.

Ninguém estava fazendo nada parecido com aquilo em Viamão. De fato, pouquíssima gente fazia isso no Brasil. Nós não sabíamos, mas estávamos produzindo aquilo que hoje se chama de PODCAST.

Nós lançamos, no cenário local, um formato que depois seria copiado, aprimorado e expandido por outras produtoras de conteúdo na região.


Cinco anos de crescimento na Receita Federal em Viamão

Apesar de todos os meus esforços, eu seguia na indesejada situação de anônimo, distante da fama, da fortuna e de ser atacado por uma legião de fãs ao sair para a padaria.

Mesmo assim, esse foi um tempo muito bom da minha vida.

Eu passei cinco anos – do início de 2015 ao início de 2020 trabalhando na Agência da Receita Federal em Viamão fazendo atendimento aos contribuintes.

Ainda mantinha algumas amizades feitas na CEEE enquanto, na Receita Federal, passei a trabalhar com um pessoal que era mais velho, mais discreto e mais centrado do que eu e do que meus colegas no emprego anterior.

Aquilo me trouxe uma certa mudança de perspectiva.

Foi essa turma da ARF-Viamão que, pelo convívio, acabou me ajudando a “virar a chave”, amadurecer e evoluir.

Sinceramente, sem exagero: moram no meu coração, cada um desses aí na foto.


Anos incríveis

Entre meu trabalho regular, muitos projetos de mídia fracassados e alguns sucessos efêmeros, eu fui criando meus filhos ao lado da minha esposa.

A essas alturas, estávamos morando em uma casa confortável e andando em um carro legal. Sempre cercados de amigos, víamos nossos pais todo final de semana, comíamos muito bem e conseguíamos até passear aqui e ali. Tínhamos condições para dar brinquedos e tempo para dar atenção às crianças… em resumo, uma vida muito boa.

Foto do Natal de 2016. Nesse dia, eu fui o Papai Noel na festinha da Associação de Moradores de Águas Claras.

Nesta época, nós desenvolvemos um hábito – era um ritual nosso, em família – de almoçar em cidades diferentes no final de semana. Pegávamos o carro, no sábado ou no domingo, e íamos para algum município que não conhecêssemos – a coisa começou com Palmares do Sul, Osório, depois fomos a Cachoeirinha, Portão, Parobé, etc.

Chegando à cidade escolhida, passeávamos pelo centrinho, almoçávamos, procurávamos entender a atmosfera do lugar.

Minha filha Camila lembraria, muitos anos depois, dessas aventuras como algumas das memórias preferidas da infância e pré-adolescência dela.

Aquele foi um tempo bom.

Nós, na nossa antiga garagem. Acho que isso foi no meu aniversário de 35 anos.

O final da década

A partir de 2018, com o desgaste e o esgotamento do JS Debates, eu comecei a “pipocar” em alguns programas da Metropolitana TV (na época, chamada Metropolitana Web) e da Midia+ Multiplataforma. Com isso, acabei “efetivando de vez” minha transição de “jornalista que só sabe escrever” para “comunicador multimídia”.

Apesar de empolgantes, esses foram todos “projetos Plunct Plact Zum”, ou seja, não foram a lugar nenhum. Mas eu ganhei alguma experiência como apresentador, o que foi bem interessante.

Além dos projetos midiáticos efêmeros, 2018 foi um ano bem crucial para mim e para minha família por outras razões. Depois de dez anos morando em Águas Claras, nós nos mudamos da zona rural para um bairro urbano, a Vila Cecília, no limite entre Viamão e Porto Alegre.

Em 2019, comecei a frequentar um novo círculo de amigos – verdadeiros Irmãos. Comecei a me preocupar em evoluir filosoficamente, amadurecer de vez.

E tudo isso foi um preparo muito importante para as mudanças ainda maiores que viriam logo depois.

Receita Federal no desfile do 7 de Setembro de 2019, em Porto Alegre.

Do atendimento para a Comunicação (finalmente!)

Em fevereiro de 2020, a Receita Federal fechou sua unidade em Viamão.

Em março, fui transferido para a Seção de Comunicação Institucional da 10ª Região Fiscal e, depois de anos trabalhando em funções burocráticas ou atendendo balcão, eu finalmente passei a ser um profissional da comunicação “full time”.

Eu finalmente consegui casar minha formação com meu emprego. Foi nessa função também que comecei a flertar seriamente com a ideia de assumir papéis de liderança, e comecei aprimorar minhas habilidades neste sentido.

Pouco tempo depois, fui nomeado chefe substituto da Seção, mas nem tive tempo para comemorar e saborear o momento.


Mudança para Caçapava do Sul e decolada na carreira federal

Em novembro de 2020, em um novo salto, assumi o comando da Agência da Receita Federal em Caçapava do Sul. Essa nomeação exigiu que eu me mudasse – com a mulher, os filhos e o cachorro para um lugar que, para mim, era completamente novo. No meio do Pampa gaúcho.

Além de exercer a chefia da unidade, permaneci ligado em tempo parcial à assessoria de Comunicação, e passei a integrar o grupo regional da Cidadania Fiscal. Assim, comecei a fazer algumas coisas bem interessantes dentro da Receita Federal. Já em 2021, fui incumbido da função de gerente do meu primeiro projeto institucional nacional.

Em função deste trabalho, em 2021 eu ganhei um programa de rádio da Receita Federal, que eu escrevo e apresento na Rádio Encantadas FM, em Santana da Boa Vista. E uma coluna no jornal impresso Gazeta de Caçapava.

Me transformei em uma presença constante nos sites de notícias e nas outras rádios da região.

Paralelamente a tudo isso, tomei a sério a decisão de lançar livros que não são sobre informática. O primeiro deles, “Política para Iniciantes“, saiu ainda em 2020, um pouco antes das eleições municipais.


Nas Minas do Camaquã, em 2021.

Conclusão (por enquanto)

E essa é a história dos primeiros 40 anos da minha vida.

Todos os dias, eu acordo e me pergunto… “o que é que eu vou inventar hoje, o que é que eu vou fazer para tornar este dia uma página interessante da minha biografia?“. Não gosto de desperdiçar tempo sendo banal ou medíocre.

Talvez eu ainda fique mais conhecido.

Talvez eu ainda me torne alguém.

Talvez eu ainda faça a diferença.

Talvez o sucesso esteja na próxima esquina da minha caminhada.

O negócio é continuar tentando.

A luta continua!


No ar, em 2022.

Escolaridade

  • Bacharelado em Comunicação Social – Jornalismo pela PUCRS (concluído em 2005).
  • Técnico em Informática pela Escola Objetus (concluído em 2012).

Capacitações corporativas

  • Liderança Remota, com Claudio Zanutim – IBMEC – 2020
  • Gestão de Equipes em Trabalho Remoto – ENAP – 2020 – 20h
  • Primeiros passos para o uso de Linguagem Simples – ENAP – 2020 – 8h
  • Temos que dar aulas remotas… E agora? – ENAP – 2020 – 10h
  • Regularização de obras – SERO / Formação de capacitadores locais – ENAP – 2019 – 16h
  • Gestão pessoal – Base da liderança – ENAP – 2018 – 50h
  • Grafoscopia e Documentoscopia – ENAP – 2018 – 10h
  • Processo Administrativo Fiscal – ESAF – 2016 – 20h
  • Direito previdenciário – ESAF – 2017 – 60h
  • Fundamentos e Metodologia da Educação Corporativa – ESAF – 2015 – 40h
  • BROffice – ESAF – 2015 – 60h
  • Cidadania Fiscal – ESAF – 2015 – 20h
  • Segurança institucional – ESAF – 2015 – 10h

Fabio Burch Salvador