Quem é Fábio Burch Salvador

Servidor Público Federal. Escritor. Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela PUC-RS.

Agente titular da Agência da Receita Federal em Caçapava do Sul-RS. Gerente de projetos e colaborador em algumas iniciativas bem interessantes dentro da instituição.

Autor de “Política para Iniciantes” e de outras obras. Videomaker. Apresentador de um canal sobre História no Youtube.

Gaúcho de Porto Alegre.


Biografia mais ou menos completa

Eu nasci em 1981 na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, do Brasil e do Mundo. Sou casado e tenho dois filhos.

Eu dei sorte, porque nasci em uma família bem legal.

Tenho uma irmã mais nova, nascida em 1983. Como temos praticamente a mesma idade, crescemos brincando juntos. Meus pais são pessoas extremamente trabalhadoras e sempre deram muito valor ao estudo. Minha mãe é formada em Educação Física, e sempre fez questão que tivéssemos uma alimentação saudável e fizéssemos exercício. Meu pai é contador, e me deu sempre uma visão muito prática da vida. Alguma coisa disso tudo acabou ficando impressa na minha “formatação mental”, com efeitos para a vida toda.

Quando eu nasci, meus pais moravam no Partenon, um bairro popular de Porto Alegre mas, uns dois anos depois, fomos morar no limite entre os bairros Santana e Bom Fim, a exatamente uma quadra e meia do Parque da Redenção.

Esse parque foi o centro de toda a minha infância e juventude – e da minha vida toda, na verdade.

Minha infância foi, de certa forma, um almanaque dos anos 80 – eu tive um Atari e um Ferrorama, além de bonecos dos Thundercats e do He-Man. Minha irmã tinha um Pogobol e bonecas Barbie. Escutávamos discos do Trem da Alegria mas, ainda criança, fiquei fã do Raul Seixas.

Aprendi a ler e escrever antes da idade escolar. Fiz todo o Ensino Fundamental na Escola Estadual de 1º Grau Luciana de Abreu. Eu não tinha amigos na escola nos meus primeiros anos lá – pelo contrário, tinha fama de “louquinho” e de “abobado”, e sofria bullying por isso. Em grande parte, porque eu gostava de contar piadas e fazer imitações no meio da aula.

Na praia, a história era bem diferente. Passávamos os verões em Capão da Canoa, onde eu tinha uma turma. Saíamos para “pegar onda” (sim, nós nos achávamos uns surfistas, com nossas pranchas de isopor), jogar taco e frequentar os fliperamas.

Eu só passei a ter um grupo de amigos no colégio quando cheguei à 7ª série. E vou dizer que valeu a pena esperar porque esses caras eram realmente incríveis – os melhores do mundo! Falo com alguns deles até hoje (na verdade, com quase todos).

Estudávamos no turno da manhã e passávamos as tardes falando besteira (e depois, filmando algumas pérolas do cinema caseiro – mas eu já chego nessa parte), ou então às voltas com videogames, jogos de RPG, animes e todo um mundo de nerdices mil. .

Por falar em nerdices…

A primeira vez que vi um computador de perto na vida foi no final dos anos 80. Meu pai me levou para passar o dia na firma em que ele trabalhava e, como eu era hiperativo e enchia a paciência de todo mundo, ele me pôs diante de um AT/XT com monitor verde-e-preto. E me deixou lá, escrevendo no WordStar.

Eu gostei tanto daquela “brincadeira” que acabei aprendendo a programar ainda pré-adolescente, em um PC 286 que meu pai usava para trabalhar em casa.

Essa minha relação com a informática, precoce e incomum para a época, acabaria sendo bem útil na minha vida adulta.

Acredito que tenha sido nesta época, também, que passei a me interessar por História e devorava obras como a Coleção Grandes Líderes. Eu adorava ler enciclopédias – daquelas em volumes, tipo “Conhecer” e “Barsa”. As lia antes de dormir e até no banheiro. A leitura era um vício, uma loucura minha (ainda é).

Depois de ser uma criança dos anos 80, chegou a hora de eu ser um adolescente dos anos 90.

Minha adolescência começou, de fato, quando eu e meus amigos começamos a descobrir umas bandas, tipo Ramones, Iron Maiden, Guns n Roses e afins. Depois, eu “rodei” na sétima série e tive que repeti-la, em uma turma cheia de gente que eu não conhecia. Fiz amizade com uns caras diferentes, que já iam a festas e bares, e que me apresentaram à noite porto-alegrense.

Isso foi um marco bem importante da minha juventude.

A partir daí, o grande cenário da minha adolescência foram as ruas do Bom Fim e os arredores do Parque da Redenção. Destaque especial para a avenida Osvaldo Aranha. Peguei uma fase final do Bar João, ia ao Garagem Hermética, ao Ocidente e àquele tradicional circuito da Cidade Baixa.

Era um ambiente muito legal, frequentado por umas pessoas estranhas, alternativas. Estávamos no meio de uma segunda onda do rock gaúcho com os ídolos da “primeira onda” ainda “na ativa”, perambulando e tocando nos bares das redondezas. Havia todo um clima de efervescência cultural por ali no finalzinho do século XX.

Eu sonhava em ser cineasta. Havia definido isso, ainda mais depois de assistir ao filme “Ed Wood”, sobre o lendário diretor do “pior filme da História”. Eu passava noites assistindo a filmes mudos e produções obscuras. Eu ficava observando enquadramentos e técnicas, que depois tentava reproduzir com uma câmera VHS usando os amigos e parentes como elenco. Eram filminhos caseiros, todos eles comédias (mesmo que involuntárias). Trash total.

Algumas das minhas “super produções” acabariam, depois (já no final da década e começo dos anos 2000) fazendo parte da programação da extinta POATV e permaneceram no ar por anos, em um bloco de curtas que o canal tinha.

Eu perdi quase tudo o que gravei na época – em grande parte dos casos, por simples decaimento químico das fitas. São todos “lost films”. Só tenho, mesmo, o último deles – bem tardio e, mesmo assim, mal conservado – que consegui digitalizar e imortalizar no Youtube. É uma obra que serve de exemplo do tipo de coisa que andávamos fazendo naqueles tempos.

Paralelamente a todas essas minhas “aventuras de artista” eu estudava, claro.

No final da oitava série, em 1996, eu havia encarado o teste seletivo para fazer o Ensino Médio na Escola Técnica de Comércio da UFRGS, e acabei passando em quinto lugar. Ingressei na ETC-UFRGS no começo de 1997 e acabei escolhendo o curso técnico em Contabilidade para tentar seguir os passos do meu pai.

A escolha do curso foi infeliz, pois descobri que a matéria me dava um tédio profundo.

Então, eu me refugiava no laboratório de informática, onde tive meus primeiros contatos com a internet e aprendi HTML, montando meus primeiros sites (cheios de GIFs animados e bizarrices típicas de páginas dos anos 90).

De forma geral, eu estava resolvido a não ter uma vida chata e a não ter um trabalho burocrático. Isso era a coisa mais importante do mundo para mim. Mais importante do que ficar rico ou ter cargos “respeitáveis”. Era minha ideia central. Meu único plano.

Foto de 1999. Meu primeiro carro foi um Buggy!

Vencido o Ensino Médio, chegou a hora de fazer o vestibular.

Minha chegada á faculdade foi permeada de episódios insólitos.

Em 2000, prestei teste específico para o curso de Artes Cênicas (hoje chamado de Teatro) na UFRGS. Entrei na sala interpretando um bêbado maluco em uma cena que deveria ser dramática (eu não havia entendido o contexto do roteiro). Mesmo assim, fui aprovado porque os julgadores morreram de rir.

No fim das contas, eu resolvi não fazer Artes Cênicas – após ser insistentemente alertado de que eu iria “passar fome” com um diploma nesta área, acabei escolhendo outra coisa mais convencional. Fui fazer Jornalismo na PUC.

Na faculdade, conheci um monte de gente legal e participei de alguns projetos bem interessantes. Fui a algumas festas. E descobri que gostava de escrever e de diagramar páginas de jornal. Nessa época, comecei a me “politizar” e me meti em algumas agitações estudantis.

Foi durante o curso, também, que comecei a namorar com a mulher que me daria meus dois filhos, a Fabiana.

Eu comecei a atuar na imprensa, na cidade de Viamão, ali por 2003 fazendo uns “frilas” para o jornal “A Tribuna” (do meu falecido amigo – e até certo ponto mentor – José Paulo Corrêa Lopes). Em 2004, quase me formando e precisando arrumar uma renda, eu fundei meu próprio jornal, o “A Cidade“.

Capa da primeira edição do A Cidade.

No fim das contas, a curto e médio prazos essa foi uma péssima ideia porque esse jornal acabaria falindo e me deixando muito enrolado em dívidas.

A longo prazo, no entanto, essa aventura renderia frutos e talvez tenha até valido a pena pois, ali, eu aprendi na prática muita coisa sobre reportagem, edição, foto e diagramação. Além disso, comecei a alcançar alguma projeção local como jornalista, e acabei participando de um movimento de comunicadores e artistas que estava acontecendo ali na época.

Viamão, no começo do século XXI, vivia uma mini-explosão cultural na qual proliferavam bandas de rock, grupos de teatro, rádios comunitárias e outras maluquices do tipo, no meio das quais um indivíduo como eu encontrava espaço para expandir-se.

O “A Cidade” dava muito apoio a novos artistas. Além disso, tinha muito conteúdo do tipo “buraco de rua”, pressionava o governo por melhorias e dava voz a vários movimentos na cidade. Procurava ajudar iniciativas positivas, inclusive no campo do esporte.

Na foto acima, uma homenagem que recebi da Federação Gaúcha de Taekwondo pelo trabalho de divulgação da equipe local, quando ela ainda não contava com o prestígio que tem hoje.

Eu levava muito a sério meu papel de “homem de imprensa” embora fosse, na verdade, pouco mais que um guri, iniciando a vida.

Me formei na faculdade em 2005, com o jornal bombando, edições com capa colorida e tiragens numerosas. Naquele mesmo ano, casei com a Fabiana e começamos nossa vida juntos em Viamão.

O grande problema é que, logo depois, nosso jornal, que sempre fora cambaleante em termos financeiros, entrou numa trajetória inequívoca rumo à falência. E ele de fato quebrou, no final de 2005.

Em seguida, em Abril de 2006, nasceu a nossa primeira filha, a Camila.

Camilinha.

Eu estava feliz de ter um bebê mas isso significava, também, que eu tinha uma enorme responsabilidade nas mãos. O que até nem seria um problema, não fosse o fato de eu ter também também enormes dívidas com gráficas e bancos, e nem um único centavo no bolso. Além disso, eu não tinha nenhuma fonte de renda. Teria que me reinventar do zero.

Então, iniciou-se uma fase de muita dureza na minha vida. Eu havia recém saído do meu paraíso bomfiniano de classe média e fui viver, sem grana para nada, em uma casinha alugada, de madeira, que tinha mais goteiras do que telhado.

Eu não conseguia arrumar emprego fixo e só não chegamos a passar fome (embora tenhamos passado perigosamente perto disso) porque os meus pais nos deram uma baita ajuda. O problema é que eu sabia que eles não poderiam nos carregar “a reboque” indefinidamente, então eu precisava me estruturar, e rápido.

Fiz “bicos” aos montes nessa época, alguns deles até bem legais – fui, por exemplo, redator do Terra por uns meses (escrevendo a editoria de “notícias bizarras”).

Eu corria toda a região metropolitana procurando trabalho, inclusive fora da área da comunicação, pois precisava de alguma coisa mais fixa.

Então, ainda em 2006, nós fomos morar em Porto Alegre (onde estavam os empregos), no bairro Partenon – no mesmo prédio onde eu tinha passado meus primeiros dois anos de vida. Eu tive o cuidado de manter minhas atividades jornalístico-culturais-políticas em Viamão porque achava que minha história por ali ainda não tinha acabado. E, de fato, não tinha mesmo.

Também em 2006, fui colunista e diagramador do Jornal Correio Viamonense, fundado pelo amigo Daniel Jaeger Marques, que havia sido colunista do meu próprio jornal no ano anterior. O “Correio” era um jornal absurdo, cujo “mascote” era uma versão cartunesca do Elvis Presley. Inicialmente concebido como um semanário, logo virou um “de-vez-em-quandário”. Esse foi o primeiro de muitos jornaizinhos efêmeros, fundados por amigos, dos quais participei em Viamão.

Foi por essa época também que montei meu blog. Comecei me aventurando com uma versão estática no Geocities, logo adotei um Blogspot da vida, e eventualmente desenvolvi um site com programa próprio, feito em PHP. Foi como blogueiro que acabei fazendo parte da primeira geração de comunicadores da internet em Viamão.

Enquanto isso, para pagar as contas, eu desenvolvia uns projetos de informática com meu pai e fazia mais alguns trabalhos temporários aleatórios. Essa situação precária, deprimente e insustentável arrastou-se até o começo de 2007, quando arranjei um emprego como instrutor do Senac.

E aí, iniciou-se um baita período da minha vida. Eu comecei a me reerguer, e não só financeiramente.

Eu adorei dar aulas. E descobri que eu conseguia fazer isso muito bem por pura habilidade natural, mesmo sem ter uma formação prévia para ser professor.

Aquilo foi uma grande injeção de ânimo no meu coração porque eu já não me sentia um total incompetente nesta vida.

Enquanto lecionava, escrevi minhas conhecidas apostilas de informática, que acabariam depois se espalhando pelos fóruns da web e sendo úteis a milhares de pessoas em todo o Brasil por muitos anos, além dos meus dois livros didáticos sobre programação publicados pela Editora Viena.

Meu tempo no Senac foi fantástico. Era um trabalho pesado, eu dava aulas em todos os turnos que podia (pois ganhava por hora-aula) e mal via minha família, mas aprendia coisas interessantes todos os dias e até apresentei palestras em alguns eventos em São Leopoldo.

Formatura de uma turma do antigo Planteq.

Tive montes de alunos incríveis e colegas muito legais. Depois, perdi o contato com quase toda essa gente. Mas as memórias ficam, para sempre.

Minha aventura Senaquiana durou até a segunda metade de 2008.

Naquele ano, acabei saindo da sala de aula depois de passar em um concurso público da CEEE.

Com isso, conquistei a tão necessária estabilidade financeira (embora o salário inicial fosse “de chorar”) e, ainda por cima, eu dei um jeito de me botarem a trabalhar na unidade de Viamão. Assim, voltamos para a cidade onde nossa família começou.

Compramos uma casinha no distrito de Águas Claras – uma região que, na época, tinha mais vacas do que gente (hoje é um pequeno centro urbano). Essa casa, aliás, foi onde moramos por dez anos (de 2008 a 2018) e foi nela que criamos a Camila e tivemos o nosso segundo filho, o Gabriel, nascido em 2012.

Nossa linda casinha no campo – ela depois passaria por inúmeras reformas e ampliações até virar uma casona.
A Camila passou um tempão pedindo “um maninho” até que ganhou o maninho mais fofo de todos, o Gabriel.

Morar na zona rural dava um certo trabalho – era preciso usar o carro para tudo – mas tinha muitas vantagens.

As crianças cresceram com espaço para correr e brincar, com balanços pendurados em árvores e coisas do tipo. Fizeram amiguinhos e puderam aproveitar uma infância absolutamente inimaginável para a maior parte das crianças de hoje em dia.

Tivemos cachorros, tentamos plantar uma horta… etecetera e tal.

Meu sobrinho e meus filhos, não sei direito a data desta foto.

Agora, voltando a falar do meu emprego na CEEE…

Trabalhei na companhia de 2008 a 2015 e, na verdade, minha “carreira eletricitária” não foi grande coisa.

Ela teve alguns aspectos positivos – para começar, como eu fazia um monte de capacitações, ascendi muito rapidamente no Plano de Cargos e Salários, o que me deu uma melhora substancial de renda já em 2011 (não que eu tenha ficado rico, mas deu para respirar mais aliviado).

Meus colegas na unidade – e até mesmo os primeiros chefes locais com quem trabalhei – eram pessoas legais, amigos mesmo.

Por outro lado, eu não gostava de trabalhar na CEEE. As chefias por lá eram ocupadas por indicação política, criando um ambiente de instabilidade e intrigas. Eu e alguns dos meus colegas vivíamos muito sobrecarregados e o trabalho que eu fazia era burocrático, muito chato e absolutamente contrário à minha natureza. A Companhia era muito mal gerida, e isso refletia-se em estresse para nós.

Resumindo, eu gostava das pessoas, dependia desse serviço, mas detestava o que fazia.

Meu foco permanecia nos projetos FORA do horário de expediente.

Eu era bastante ativo na comunidade onde morávamos e cheguei a ser apresentador de um programa na rádio comunitária do Morro Grande. A atração era uma mistura caótica de música, entrevistas e notícias. Isso, se não me engano, foi em 2009.

Paralelamente, nesse período fiz minhas grandes incursões na política viamonense, um capítulo curioso e riquíssimo da minha vida, sobre o qual escrevi uma seção específica aqui no site.

Eu escrevia muito, e montei uma extensa mailing list para enviar meus textos a um grande número de jornais em todo o Rio Grande do Sul (sempre com uma foto minha, na esperança de ser tratado como um colunista, mesmo que ocasional).

Foi uma estratégia que rendeu alguns frutos, e eu saí, aqui e ali, em jornais nos lugares mais aleatórios… Panambi, Uruguaiana, Alvorada, Osório, etc. Apesar desses sucessos episódicos, este “lance” dava muito trabalho e, depois alguns meses, eu percebi que não arrumaria espaços fixos nos jornais assim, nem uma projeção de imagem significativa. Então, parei.

Logo em seguida, fui contratado para ser editor e diagramador do jornal mensal Esperança, com circulação na cidade de Vespasiano Corrêa, “pingando” em Muçum, Dois Lajeados e São Valentim do Sul.

Artur Gattino, Alexandre Fávero e eu: o trio do terror do jornal Esperança. E também, capas de algumas edições.

Era um jornal patrocinado por um grupo com objetivos políticos mas, mesmo assim, eu adorava esse projeto. Não só porque ele me serviu de renda complementar por anos, mas também porque eu tinha muita liberdade de criação e uma coluna fixa, que me tornava conhecido diante de um público novo.

Nas poucas vezes em que visitei Vespasiano Corrêa, fui recebido com carinho por parte do povo (uma outra parte, compreensivelmente, odiava o Esperança).

Meu grande veículo de comunicação da década, no entanto, foi o retumbante (e controverso) Jornal Sexta, fundado em 2010, em Viamão, por um grupo de quatro amigos: eu, o Daniel Jaeger Marques (idealizador do projeto e meu parceiro de muitas caminhadas), o Hélio Ortiz (ex-secretário municipal da Cultura), e o indelével Vilson Arruda Filho (professor da Escola Técnica de Agricultura).

Daniel, eu, Hélio e Arruda: os conspiradores por trás do Jornal Sexta.

Era um quarteto bem interessante, composto por dois “guris” da nova geração e por dois veteranos que haviam feito parte da redação do legendário Jornal Quarta-Feira, lá no final dos anos 80 e início dos 90. O nome “sexta-feira”, aliás, era uma homenagem, e a gente tinha mesmo a ideia de resgatar o “espírito ao estilo Pasquim” do velho Quarta.

O resultado foi um jornal que marcou época, com uma mistura de polêmica, jornalismo investigativo “raiz” e muito deboche. Tinha até um lado experimental, meio surrealista. Atingiu o auge, em termos de relevância, justamente durante as eleições municipais de 2012 e, pouco depois, começou a entrar em declínio.

O Sexta impresso circularia regularmente até 2015, entrando em um hiato até voltar às ruas em 2017 – a partir daí, teve vários “voos de galinha”, sumindo e voltando à vida algumas vezes até falecer de vez em 2019.

A capa da primeiríssima edição do Sexta, bem simples e em preto e branco. Nos anos seguintes, o jornal ganharia cores, mais páginas e grandes tiragens. Na volta, trechos de algumas das minhas colunas de página inteira.

Ali por 2013, eu fui contratado ainda para criar o projeto gráfico, co-editar e diagramar o primeiro (e único) jornal totalmente colorido de Viamão. Chamava-se “Águas Claras do Sul“, circulou como semanário por alguns períodos e como um jornal quinzenal em outros. Foi um dos últimos impressos a nascer na cidade já numa fase tardia, meio “fim de festa”, da imprensa de papel.

Eu, que havia me destacado justamente nos campos gráfico e da escrita, me agarrei enquanto pude ao meio impresso.

Algumas capas do jornal Águas Claras do Sul, com meu estilo característico.

Em resumo, essa foi uma época muito prolífica em projetos de mídia e tudo mais.

Foi nela, também que escrevi meus primeiros livros a serem publicados por uma editora de verdade. Especificamente, livros de informática que produzi para a Editora Viena.

O primeiro deles foi também o que alcançou maior sucesso: “Programando em PHP” saiu em sua primeira edição ainda em 2011 mas foi a segunda, de 2013, revisada e ampliada, que estourou – vendendo mais de 10 mil exemplares até ficar desatualizada e sair de linha, alguns anos depois.

Eu escrevi, na mesma época e também para a Editora Viena, um outro livro – sobre SQL e bancos de dados – que teve uma vendagem mais modesta. Ainda assim, os direitos autorais desta obra – que “pingavam” a cada trimestre – garantiram a Páscoa, o Dia das Crianças e o Natal dos meus filhos por alguns anos.

Agora, falando em dinheiro (e portanto, em trabalho)…

Embora eu ganhasse destaque e até alguma grana com meus livros e jornais, eu seguia dependendo do trabalho na CEEE para sustentar minha família. O problema era que a rotina dentro da firma foi ficando cada vez mais insuportável.

A Companhia estava praticamente falida, nossos salários iam perdendo poder de compra a cada ano, falava-se em privatização. Foi surgindo um ambiente tóxico, de desaforos e cobranças constantes, rixas entre os colegas, ameaças de demissão. Para piorar, a chefia da agência de Viamão estava nas mãos de uma das pessoas mais detestáveis que eu conheci na vida.

Eu fui aguentando isso até que, em 2014, surgiu minha grande oportunidade para chutar o balde. A categoria eletricitária resolveu entrar em greve e eu fiz parte do comando desse movimento. Essa foi a coisa mais emocionante e divertida que eu fiz dentro da CEEE. O auge da minha carreira lá dentro. O momento mais memorável.

Essa greve, que durou um mês, meio que “selou” meu destino dentro da empresa mas, àquela altura, eu já estava mesmo resolvido a ir embora. Só que eu precisava arrumar outro emprego antes de “pedir as contas”.

Então, naquele mesmo ano, fiz um concurso do Ministério da Fazenda e me classifiquei muito bem.

Na quarta-feira de cinzas (18 de fevereiro) de 2015, eu enviei uma mensagem de despedida a todos os e-mails de todos os colegas, fui até o prédio da administração na Avenida Ipiranga, entreguei meu crachá e assinei minha demissão na CEEE.

No dia seguinte, assinei os papéis e oficialmente ingressei no quadro funcional da Receita Federal.

Nesta nova organização, encontrei uma realidade bem melhor – não só em termos de perspectivas mas também de ambiente de trabalho. Este novo emprego foi uma “tábua de salvação” vinda na hora certa.

Ao contrário do que o senso comum possa acreditar, eu não passei a ganhar um super-salário no Governo Federal. Na realidade, como fiz concurso para um cargo administrativo, entrei na Receita ganhando praticamente a mesma coisa que ganhava na CEEE.

Apesar da “mesmice” em termos financeiros, aquela mudança foi o estopim para algumas decisões bem importantes. Foi um ponto de virada.

Ainda em 2015, tirei meu velho blog do ar. Ele já estava mesmo morto há tempos. Eu até lancei alguns blogs de informação segmentada sobre filmes, games e música mas, apesar de eu ter me divertido muito escrevendo-os, eles não juntaram público algum.

Percebi que eu precisava tentar algo novo. Então resolvi fazer videos.

Em 2016, eu comecei minhas incursões no Youtube. Inicialmente criei um canal de comédia, que acabou virando um videolog aleatório. Eu seguia com o objetivo de me tornar uma celebridade, e ser “vlogueiro” me parecia um caminho natural. Eu não sentia necessidade de falar sobre algum assunto específico, e sim de ficar famoso como personalidade na web. Como Whindersson Nunes, PC Siqueira, Felipe Neto, Kéfera, Luba, etc.

Nessa mesma época, diante do visível declínio do nosso jornal impresso, eu e meus amigos do Sexta começamos a nos aventurar com vídeos ao vivo. Lançamos o JS Debates, transmitido todas as segundas-feiras pelo Facebook. Esse programa foi um grande sucesso de audiência para os padrões locais da época, especialmente nas primeiras edições.

Ninguém estava fazendo nada parecido com aquilo em Viamão. Nós lançamos um formato de “emissora de TV para a web” que depois seria copiado, aprimorado e expandido por outras produtoras de conteúdo.

Enfim…

Enquanto isso, no meu emprego normal, eu passei cinco anos – do início de 2015 ao início de 2020 trabalhando na Agência da Receita Federal em Viamão fazendo atendimento aos contribuintes.

Mesmo eu seguindo naquela indesejada situação de anônimo, distante da fama, da fortuna e de ser atacado por uma legião de fãs ao sair para a padaria, esse foi um tempo muito bom.

Afinal, mantive algumas das amizades feitas na CEEE enquanto, na Receita Federal, passei a trabalhar com um pessoal que era mais velho e muito mais centrado do que eu e do que meus colegas no emprego anterior.

Grandes pessoas. Sinceramente, sem exagero: moram no meu coração, cada um desses aí.

Essa turma da ARF-Viamão foi muito importante na minha vida porque eles, com a maior paciência, me ajudaram a amadurecer e a evoluir.

Assim, entre meu trabalho regular, muitos projetos de mídia fracassados e alguns sucessos efêmeros, eu fui criando meus filhos ao lado da minha esposa.

A essas alturas, estávamos morando em uma casa confortável e andando em um carro legal. Sempre cercados de amigos, víamos nossos pais todo final de semana, comíamos muito bem e conseguíamos até passear aqui e ali. Tínhamos condições para dar brinquedos e tempo para dar atenção às crianças… em resumo, uma vida muito boa.

Foto do Natal de 2016. Nesse dia, eu fui o Papai Noel na festinha da Associação de Moradores de Águas Claras.

Depois, a partir de 2018, com o desgaste e o esgotamento do JS Debates, eu comecei a “pipocar” em alguns programas da Metropolitana TV (na época, chamada Metropolitana Web) e da Midia+ Multiplataforma. Com isso, acabei “efetivando de vez” minha transição de “jornalista que só sabe escrever” para “comunicador multimídia”.

Apesar de empolgantes, esses foram todos “projetos Plunct Plact Zum”, ou seja, não foram a lugar nenhum. Mas eu ganhei alguma experiência como apresentador, o que foi bem interessante.

Além dos projetos midiáticos efêmeros, 2018 foi um ano bem crucial para mim e para minha família por outras razões. Depois de dez anos morando em Águas Claras, nós nos mudamos da zona rural para um bairro urbano, a Vila Cecília, no limite entre Viamão e Porto Alegre.

Em 2019, comecei a frequentar um novo círculo de amigos – verdadeiros Irmãos, que como tal me reconhecem também. Esses amigos são pessoas que já me conheciam do dia a dia em Viamão, mas com as quais eu passei a ter uma proximidade maior. E ali comecei a trilhar uma nova fase da minha experiência de amadurecimento.

E tudo isso foi um preparo muito importante para as mudanças ainda maiores que viriam logo depois.

Receita Federal no desfile do 7 de Setembro de 2019, em Porto Alegre.

Em fevereiro de 2020, a Receita Federal fechou sua unidade em Viamão.

Em março, fui transferido para a Seção de Comunicação Institucional da 10ª Região Fiscal e, depois de anos trabalhando em funções burocráticas ou atendendo balcão, eu finalmente passei a ser um profissional da comunicação “full time”. Foi nessa função que comecei a flertar seriamente com a ideia de assumir papéis de liderança, e comecei aprimorar minhas habilidades naturais neste sentido.

Pouco tempo depois, fui nomeado chefe substituto da Seção, mas nem tive tempo para comemorar e saborear o momento.

Em novembro de 2020, em um novo salto, assumi o comando da Agência da Receita Federal em Caçapava do Sul. Essa nomeação exigiu que eu me mudasse – com a mulher, os filhos e o cachorro para um lugar que, para mim, era completamente novo. No meio do Pampa gaúcho.

Além de exercer a chefia da unidade, permaneci ligado em tempo parcial à assessoria de Comunicação, e passei a integrar o grupo regional da Cidadania Fiscal. Assim, comecei a fazer algumas coisas bem interessantes dentro da Receita Federal. Já em 2021, fui incumbido da função de gerente do meu primeiro projeto institucional nacional.

Paralelamente a tudo isso, tomei a sério a decisão de lançar livros que não são sobre informática. O primeiro deles, “Política para Iniciantes“, saiu ainda em 2020, um pouco antes das eleições municipais.

Nem tudo são flores, claro. Com montes de coisas para fazer, comecei a ficar sem tempo para tudo e precisei escolhas. Definir prioridades e até abandonar alguns projetos.

No finalzinho de 2021, após cinco anos de esforços, e apesar de alguns sucessos pontuais, ficou claro que minha tentativa de “estourar” no Youtube como videologger não estava indo a lugar algum. Então resolvi dar fim ao meu primeiro canal. Só não abandonei de vez a plataforma porque organizei meus vídeos sobre História em um novo espaço, específico sobre o assunto, onde sigo (mais ou menos) ativo.

Como diz o velho lema… A luta continua!

E essa é a história dos primeiros 40 anos da minha vida.

Todos os dias, eu acordo e me pergunto… “o que é que eu vou inventar hoje, o que é que eu vou fazer para tornar este dia uma página interessante da minha biografia?“. Não gosto de desperdiçar tempo sendo banal ou medíocre.

Que venham os próximos 40!


Escolaridade

  • Bacharelado em Comunicação Social – Jornalismo pela PUCRS (concluído em 2005).
  • Técnico em Informática pela Escola Objetus (concluído em 2012).

Capacitações corporativas

  • Liderança Remota, com Claudio Zanutim – IBMEC – 2020
  • Gestão de Equipes em Trabalho Remoto – ENAP – 2020 – 20h
  • Primeiros passos para o uso de Linguagem Simples – ENAP – 2020 – 8h
  • Temos que dar aulas remotas… E agora? – ENAP – 2020 – 10h
  • Regularização de obras – SERO / Formação de capacitadores locais – ENAP – 2019 – 16h
  • Gestão pessoal – Base da liderança – ENAP – 2018 – 50h
  • Grafoscopia e Documentoscopia – ENAP – 2018 – 10h
  • Processo Administrativo Fiscal – ESAF – 2016 – 20h
  • Direito previdenciário – ESAF – 2017 – 60h
  • Fundamentos e Metodologia da Educação Corporativa – ESAF – 2015 – 40h
  • BROffice – ESAF – 2015 – 60h
  • Cidadania Fiscal – ESAF – 2015 – 20h
  • Segurança institucional – ESAF – 2015 – 10h