Cinemateca de Curtas

O Youtube é um território MUITO vasto. Hoje, a dificuldade não é o ACESSO a bons conteúdos, e sim a SELEÇÃO do que vale a pena ver –  e esta é a minha missão nesta página.

 


OS AMIGOS BIZARROS DO RICARDINHO

Filme baseado na história real do publicitário (e meu amigo) Ricardo Lilja. Lançado em 2009, ganhou uma penca de prêmios no Brasil e no exterior, foi exibido até no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Ricardinho é um jovem esquisito e trêmulo cuja família é formada por esquisitões, e são as histórias desses seres bizarros que dão ao pobre do guri um status (indesejado) de lenda do mundo das agências de propaganda, depois que um colega reúne seus causos surreais.

Ricardinho, hoje levando uma vida mais ou menos normal, foi um meme muito antes de existirem memes na internet.

 


ILHA DAS FLORES

Muitas vezes descrito como um documentário (o que, de fato, NÃO É), “Ilha das Flores” é um curta-metragem produzido em 1988 e que, mesmo 30 anos depois, ainda é capaz de deixar o espectador sem ar, de olhos esbugalhados.

Praticamente não existe nenhum gaúcho da minha geração que não tenha, pelo menos alguma vez na vida, visto este filme na escola ou em alguma reunião de grêmio estudantil. E a maioria dos que viram saíram da exibição com uma nova perspectiva de mundo.

Ganhou uma porrada de prêmios no Brasil e no exterior, e fez de Jorge Furtado uma lenda. As produções posteriores do diretor podem ter sido maiores, mas essa aqui é um meme geracional.

O vídeo é uma narração séria sobreposta a cenas mais ou menos irônicas, formando uma cadeia de causa e efeito. De forma BRILHANTE, acaba ilustrando os mecanismos imperceptíveis do dia a dia na nossa sociedade, e o absurdo da escassez em um mundo de abundância.

 


FATMAN E ROBADA

Eu vi este filme pela primeira vez quando era adolescente. Gravado em 1997, circulava no underground gaúcho sob a forma de fitas VHF. Por muitos anos, tentei obter uma cópia desta obra até que o Youtube veio para facilitar tudo.

Fat City (Porto Alegre, na verdade) é uma cidade tomada pelo crime. Um gordo milionário, após ter um sonho com o Batman, resolve tomar para si a missão de combater o mal. E bem a tempo, pois acaba de chegar à Terra o terrível Doutor Gori (o mesmo vilão de Spectreman, mas aqui falando portunhol por algum motivo misterioso). E para atrapalhar tudo, temos o Comissário Gordon (aqui, um delegado bagaceiro da Polícia Civil gaúcha).

O elenco é uma espécie de Liga Extraordinária do cinema amador dos anos 90: David Camargo, ator presente em praticamente TODOS os curtas da velha POATV, está lá. Petter Baiestorf, nosso Rei do Trash… Lembro de um dia ter topado, sem querer, com Leandro Assombroso (o Fatman) em pessoa na locadora TV3 perto da minha casa, no Bom Fim.

A produção é trash total, mas parece ter tido algum orçamento e esmero em algumas partes, como as impressionantes animações da luta contra o Monstro Galinha Gigante.

Apesar de algumas cenas arrastadas, é um filme divertidíssimo.

 


A FARSA DO ACRE

Lembro EXATAMENTE da primeira vez em que vi “A Farsa do Acre”. O ano era 2004, e eu acompanhava o Festival CineEsquemaNovo, na Usina do Gasômetro em Porto Alegre. Lembro da tela escura, com a música do começo tocando, lembro da narração, lembro de ter ficado os quase 13 minutos do filme imóvel, sem piscar, incrédulo diante do que via.

Trata-se de um “documentário” que “comprova” – ao assisti-lo, é inevitável sair da sala sem acreditar pelo menos um pouco – que o Acre NÃO EXISTE.

Sei que a afirmação soa ofensiva aos acreanos. Mas não estou aqui defendendo a VERACIDADE da tese do filme… estou dizendo que vale a pena ver a obra, nem que seja pela criativa bizarrice de sua premissa.