A luta continua!

Existem duas coisas que aprendi com a experiência:

A primeira delas é que os mansos, os quietos, os passivos – embora possam até eventualmente herdar o Reino dos Céus – estão condenados a perder espaço, voz e eventualmente até a si mesmos.

Raul Seixas nos ensinava que é preciso “ser sincero e desejar profundo” para ser capaz de sacudir o mundo.

Já o glorioso Hino do Rio Grande do Sul aconselha-nos a mostrar “valor, constância nesta ímpia e injusta guerra” – que guerra? Todas! E a vida é CHEIA delas!

A segunda coisa que descobri é que não existe nenhum “modelo social perfeito”. Toda vez que alguém acredita ser capaz de “resolver tudo” com a implementação de uma utopia que funciona no papel, um monte de gente inocente morre.

Então, nunca – NUNCA – renuncie à inteligência e ao bom senso só para agradar ao amigo, ao eleitor, ou para sentir-se parte de alguma manada.

Todo dia, a luta continua.

 


 

Eleições de 1988

Lembro deste dia como um pequeno “filme” na minha cabeça. Eu tinha sete ou oito anos de idade. Minha tia Suzana, assessora do deputado Mendes Ribeiro Filho, me levou a um lugar cheio de gente. Acho que era uma praça, em algum lugar de Porto Alegre.

Uma multidão agitava bandeiras e segurava aquelas placas tipo “pirulito” que eram comuns em campanhas eleitorais da época da redemocratização. Um carro de som tocava o jingle… “Britto, Britto e Mercedes…”

De dentro do carro dela, eu esticava a cabeça pela janela e vibrava com toda aquela bagunça. Aquilo foi muito especial para mim. Eu queria fazer parte daquele momento. Nunca tinha sentido nada igual na vida.

Essa é a primeira memória que eu tenho de uma campanha eleitoral.

E não, eu nunca consegui esquecer esse dia.

 

Coração de estudante

Eu tinha 11 anos e estava andando na rua. Uma pequena multidão passava na rua Laurindo, próxima ao colégio Julinho, em Porto Alegre. Acabei acompanhando aquele estranho carnaval por umas quadras.

E assim, por acaso, eu engrossei sem saber uma passeata do Fora Collor.

Gostei da sensação.

Eu iria repetir esse mesmo tipo de emoção anos depois.

Por volta de 1998, o governo Fernando Henrique Cardoso queria acabar com o ensino técnico concomitante ao Médio na Escola Técnica da Comércio da UFRGS. Nós, estudantes, trancamos a Avenida Ipiranga algumas vezes, lutando pelo direito de estudar.

Em 2000, comecei a cursar a faculdade na PUC, em Porto Alegre.

Cheguei justamente em uma época de grande radicalização na universidade. Contestávamos o controle (monopolizado por um grupo partidário) sobre o Diretório Central dos Estudantes. Montamos barracas e passamos noites em vigília no Campus, tivemos enfrentamentos com a polícia.

Até publicamos – eu e uns amigos da Faculdade de Comunicação – um jornalzinho reproduzido à base de Xerox. Eu iria, depois, meio que me especializar em produzir panfletos e jornais “incendiários”.

Com a formatura em 2005, meu lado agitador entrou em um hiato. Minha primeira filha nasceu. Eu passei a ter responsabilidades demais e tempo de menos.

 

Política partidária

Ali pelo final de 2005, eu estava no PDT e tive minhas primeiras experiências em assessoria de imprensa, fazendo trabalho voluntário por pura convicção. Foi assim, por exemplo, que o PDT-Viamão tornou-se o primeiro diretório de partido político da cidade a ter um site na internet.

Em 2008, por um curto período fui vice-presidente do PTdoB viamonense. Mas agia como presidente na maior parte do tempo. Este foi um episódio pitoresco da minha vida – a sigla era vista como um legítimo “partido de aluguel” – mas eu não tenho vergonha nenhuma dessa experiência porque acumulei grandes vivências e fiz grandes amigos nessa época. Além disso, foi divertido.

Em 2011, fiz parte da Executiva Municipal da Juventude do PMDB na mesma cidade.

 

Das ruas para as páginas de jornal

No período depois da faculdade, estive basicamente longe das agitações nas ruas. Mas travei algumas lutas importantes em outro meio: as páginas de jornal.

Foi escrevendo que defendi ideias e causas por muitos anos. E foi nelas que comprei algumas brigas importantes. Um exemplo: eu e meus amigos do Jornal Sexta (Daniel, Hélio e Arruda) tivemos um papel relevante no resultado das eleições de 2012 na cidade de Viamão.

 

Vem pra rua: as passeatas de 2013

Ah, 2013… o Brasil inteiro levantou-se, cansado da corrupção e do descaso da classe política.

Eu participei das duas grandes passeatas ocorridas na cidade de Viamão – e na segunda delas, eu estava na linha de frente.

Tínhamos pautas diversas: saúde, transporte, etc.

Aquele foi o primeiro grande movimento de massas organizado pelas redes sociais e eu, de alguma forma, já tinha noção de ser aquele um momento relevante da História do Brasil.

Olhando em retrospecto, talvez tenhamos dado vida a um “monstro”, que viria nos engolir depois. Mas na época, não havia como ficar quieto.

 

A grande greve dos eletricitários

Em 2014, me envolvi na deflagração e, depois, na coordenação da grande greve dos eletricitários, que paralisou toda a área de concessão da CEEE Distribuição durante o governo Tarso Genro.

Aquele foi o primeiro movimento do tipo em duas décadas no Rio Grande do Sul.

Esta greve teve enorme importância no meu processo de amadurecimento como líder, sendo minha primeira experiência como figura relevante em alguma coisa, capaz de tomar ou influenciar decisões de um grande grupo.

Foi, em resumo, minha primeira experiência de liderança.

Pude tomar algumas decisões e definir algumas pautas. Procurei usar essa oportunidade com sabedoria.

Eu tenho orgulho das posições que defendi – a principal delas foi vetar a participação de partidos e de suas bandeiras.

Fiz isso porque acreditava que as discussões políticas poderiam rachar nossas fileiras por dentro e desmoralizar nossa luta, desvirtuando-a das pautas concretas, importantes para todos os trabalhadores ali. “Nossa bandeira não tem cor, nossa ideologia é a pauta de reajuste e plano de carreira” – esse era meu slogan, repetido todos os dias.

E no fim, esta foi uma decisão acertada.

Outra memória marcante da paralisação foi a intensa agenda de reuniões com políticos que tentavam mediar uma solução entre nós e o governo.

Foi quando adquiri meu verdadeiro gosto pela negociação e pela diplomacia. E isso foi, para mim, uma espécie de rito de passagem para a maturidade.

De adolescente rebelado eu passava a adulto capaz de defender meus interesses de forma mais civilizada.

 

Mudanças de vida e novas lutas

No ano de 2015, passei em outro concurso público, desta vez para o governo federal, e me desliguei da categoria eletricitária e do sindicato.

Estou atualmente filiado ao SindFazenda, sindicato no qual eu não ocupo posição alguma.

É que, após descobrir o gosto pela liderança, passei a concentrar esforços na minha carreira neste sentido.

Estou, no entanto, sempre pronto para ir à luta e, quem sabe, enfrentar gigantes novamente caso seja necessário.

A vida, afinal, é feita daquilo que a gente faz dela. E nada virá de graça.