A luta continua!

Acredito que, quando a causa é justa e o momento é oportuno, temos o dever cívico – perante a Humanidade e a História – de fazer alguma coisa. Embora eu seja adepto da negociação sempre, eu tenho uma história de batalhas – mesmo que tenham sido, às vezes, inglórias.

Existem pessoas que gostam de dizer-se “de luta”, ou seja, dotadas de um espírito constantemente combativo, sempre indignadas, sempre sobressaltadas. Existem pessoas que são “de paz”, ao ponto de tornarem-se conformistas, resignadas e indefesas.

A vida me ensinou a caminhar pela faixa do meio:

Cultivar a paz – plantar meu campo, lapidar a pedra bruta, viver em comunidade sem ameaçar ninguém – mantendo, ainda assim, a espada sempre afiada, guardada ao alcance da mão.

 


 

MINHAS LUTAS

Minha primeira vez em um protesto aconteceu por acaso: eu tinha 11 anos e estava andando na rua quando fui “engolido” e acabei percorrendo um trecho no meio de um pessoal do Fora Collor. Na época não entendi o que estava acontecendo, mas fico feliz em ter, pelo menos, esbarrado com aquele momento histórico.

Comecei a participar de verdade deste tipo de coisa bem mais tarde, já no Ensino Médio: fazíamos protestos estudantis contra o fechamento da antiga Escola Técnica da Comércio da UFRGS pelo governo FHC.

Depois, fiz parte das manifestações da PUCRS no alvorecer do século XXI. Foi uma época de grande radicalização na universidade, contestávamos o controle (monopolizado por um grupo partidário) sobre o Diretório Central dos Estudantes. Montamos barracas e passamos noites em vigília no Campus, tivemos enfrentamentos com a polícia na Avenida Ipiranga e até publicamos – eu e uns amigos da Faculdade de Comunicação – um jornalzinho reproduzido à base de Xerox.

Com a formatura em 2005, meu lado “agitador” entrou em um hiato – rompido em 2013, quando o Brasil inteiro levantou-se, cansado da corrupção e do descaso da classe política.

Eu participei das duas grandes passeatas ocorridas na cidade de Viamão – e na segunda delas, eu estava na linha de frente. Tínhamos pautas diversas: saúde, transporte, etc. Aquele foi o primeiro grande movimento de massas organizado pelas redes sociais e eu, de alguma forma, já tinha noção de ser aquele um momento relevante da História do Brasil.

Em 2014, me envolvi na deflagração e, depois, na coordenação da grande greve dos eletricitários, que paralisou toda a área de concessão da CEEE Distribuição durante o governo Tarso Genro. Aquele foi o primeiro movimento do tipo em duas décadas no Rio Grande do Sul.

Esta greve teve enorme importância no meu processo de amadurecimento como líder, sendo minha primeira experiência como figura relevante em alguma coisa, capaz de tomar ou influenciar decisões de um grande grupo.

E eu tenho orgulho das posições que defendi – a principal delas foi vetar a participação de partidos e de suas bandeiras. Fiz isso porque acreditava que as discussões políticas poderiam rachar nossas fileiras por dentro e desmoralizar nossa luta, desvirtuando-a das pautas concretas, importantes para todos os trabalhadores ali.

Outra memória marcante da paralisação foi a intensa agenda de reuniões com políticos que tentavam mediar uma solução entre nós e o governo. Foi quando adquiri meu verdadeiro gosto pela negociação e pela diplomacia.

No ano de 2015, me desliguei da categoria e, desde então, tenho andado mais quieto.