Como, afinal, podemos tornar a Comunicação Interna mais relevante para as pessoas?

Eu já falei, em um outro artigo, sobre o real papel dos informativos internos nas empresas e instituições. Agora, quero explorar o principal problema deste tipo de publicação, e apontar uma direção para que pensemos em algumas soluções.


 

Vamos direto ao ponto:

O grande desafio da “imprensa interna”, hoje, é fazer-se relevante. É chegar às pessoas.

 

 

Antigamente, tínhamos tudo impresso em papel. Folhas, revistas ou jornaizinhos que eram distribuídos ou afixados em murais na parede. E as pessoas os liam, porque eles eram as únicas opções de leitura disponíveis nos escritórios.

Ninguém queria ser surpreendido pelo chefe em meio à leitura de alguma revista ou livro, em pleno horário de expediente. 

Hoje, o mesmo computador onde se trabalha tem acesso à internet. As pessoas têm celulares. Existe uma sobrecarga de informação e entretenimento sendo jogados sobre as cabeças de todo mundo.

E aí, muitas pessoas ignoram os “jornais internos”, impressos ou virtuais.

 

Ponto 1: As informações são relevantes?

Muitos informativos internos por aí estão presos a um certo comodismo, ao atendimento às vaidades de gente importante dentro da organização, e o conteúdo realmente relevante acaba perdido no meio.

As pessoas acostumaram-se com a ideia de que, se algo é realmente importante, haverá uma reunião a respeito.

Se este for o caso da sua empresa, lamento, mas não há fórmula mágica: seria preciso analisar caso a caso para apontar soluções. Às vezes, nem é possível fazer nada a este respeito, por questões de “falta de noção” de quem realmente comanda a empresa.

Na maioria dos casos, no entanto, o problema é outro, e tem a ver com divulgação.

 

Ponto 2: Como as pessoas chegam até nós?

Muitos profissionais esquecem disso, mas comunicação interna ainda é comunicação. É preciso gastar alguma energia pensando no apelo daquilo que se está a produzir.

A palavra é essa: APELO.

E é preciso pensar em estratégias de divulgação, exatamente da mesma forma que os sites de notícias abertos ao público em geral procuram conquistar seus leitores, por exemplo, nas redes sociais.

É preciso ser criativo, e não há uma única solução aqui. Mas existe uma MENTALIDADE que ajuda a achar boas saídas.

 

“Todo artista tem de ir aonde o povo está “

A frase, tirada de uma canção de Milton Nascimento, é a verdade mais essencial do mundo da comunicação.

A pergunta é: você, como profissional da comunicação e portanto, de certa forma, artista… Você está indo onde o povo está?

 

Por exemplo…

A empresa tem um site interno (em uma intranet), mas as pessoas não o estão acessando. Talvez seja importante manter a atualização de conteúdo ali, mas será preciso também descobrir onde, afinal, as pessoas estão.

Talvez seja hora de começar a usar o Whatsapp: hoje, é possível montar grupos em que apenas o administrador consegue publicar conteúdo. Você pode criar uma lista de envio para largar, ao melhor estilo “spam”, as informações para todo mundo.

Ou talvez seja melhor anunciar o noticiário interno, enviando as matérias em um “compiladão” ou os links para elas por e-mail.

Existem milhares de possibilidades.

 

A questão é: todos estão sempre muito ocupados. Se a leitura do informativo interno for transformada em uma obrigação, imposta pelos chefes, as pessoas a encararão como mais uma tarefa. E o pior: uma tarefa inútil, a ser contornada sempre que possível.

Não é isso o que a gente quer.

Não são elas que devem ser forçadas a consumir o que estamos produzindo. Somos nós que temos que capturar a atenção delas, nos adaptando aos hábitos e usando as ferramentas onde isso torna-se possível.

Somos nós que temos que, metaforicamente, ir aonde o povo efetivamente está.