Sete capas antológicas do Meia Hora com mortes de celebridades

Quem no Brasil não conhece o jornal carioca Meia Hora? Mesmo que você seja um purista, desses que torce o nariz diante do sensacionalismo do periódico, é bem provável que tenha, pelo menos uma vez na vida, dado umas boas risadas com uma de suas capas esdrúxulas.

Os diagramadores do Meia são magos, lendas, mitos das artes gráficas e da redação de manchetes. Capazes de transformar notícias policiais, comentários futebolísticos e até as maiores tragédias em piadas, não é de se estranhar que algumas de suas melhores criações surjam justamente quando morre alguém importante.

Vamos então rememorar esses momentos incríveis do jornalismo brasileiro:


Ah, 2012… um tempo realmente apocalíptico. Marcado pelas previsões do fim do mundo baseadas no calendário maia, o ano não poderia terminar sem a perda de um grande ícone brasileiro. E assim partiu Wando, cantor brega cultuado de Norte a Sul, grande colecionador de calcinhas – que suas fãs arremessavam ao palco durante os shows.

A capa do Meia é um primor: ok, a manchete é uma “piada de tiozão” usando o trecho mais famoso de uma das músicas do “homenageado”. Mas os caras superaram esse deslize com o detalhe da calcinha de luto!

Memorável.


 

Clodovil Hernandes foi uma daquelas figuras estelares que a maioria de nós não sabe exatamente como chegou à fama, e que permanecia no ar pela pura e simples força de uma personalidade incomum. Do final dos anos 1950 até a década de 1970, consagrou-se pouco a pouco como o maior e mais conhecido costureiro e estilista do Brasil. Dali saltou para a TV, onde foi até apresentador (mas brilhava especialmente como convidado “bafônico” em programas de gosto duvidoso). E no final, claro, acabou eleito deputado federal. Um mito.

Sua morte em 2009 rendeu esta lendária capa do Meia Hora. Sim, a manchete faz alusão à sexualidade do morto. E não, eu acho que não seria publicada neste sensível e politicamente correto ano de 2020. Mas não acho que o retratado ficaria ofendido com a composição.


 

Amy Winehouse, uma das maiores (se não a maior) voz de sua geração, foi uma figura um pouco anacrônica. Musicalmente parecia pertencer a algum lugar do passado. Visualmente, era uma máquina do tempo. Cantava nos anos 2000 parecendo uma mistura louca do penteado sessentista da Brigitte Bardot com uma estética “cocaine chick” noventista. Talvez tenha sido ela uma das precursoras do caráter extemporâneo que se tornaria padrão na década seguinte. Ninguém sabe.

O fato é que ela cantou e estourou para o sucesso. Infelizmente, logo estourou-se também em abusos químicos e decadência psíquica. Em 2011, Amy nos deixou.

O Meia Hora resolveu reagir como? Com um trocadilho em cima de um dos mais nefastos lemas do Regime Militar de 1964. Por que? Não sabemos. Meia Hora não foi feito para ser entendido, apenas apreciado.

“Bebeu, fumou, cheirou e dançou”. Simples assim.


 

Esta é uma capa mais recente, e não precisa de muitas explicações: Roberto Gomez Bolaños, o criador do Chaves e do Chapolin, faleceu em 2014. E aí, claro, o Meia tascou a mais óbvia piadinha como manchete, usando os personagens com os quais o artista eternizou-se no imaginário de gerações de brasileiros.

Eu poderia ter pulado esta capa, pela obviedade. Mas resolvi usá-la para introduzir o tema “Chaves” neste espaço, como uma “deixa” para o próximo morto da lista…


 

Hugo Chavez poderia ser lembrado por muitas coisas – herói para alguns, monstro para outros, figura controversa da história da América Latina. Poderia, em um jornal mais sério, ser comparado a Pinochet ou a Fidel Castro. Mas, como estamos diante do Meia Hora, claro que foi a semelhança do nome “Chavez” com o do personagem “Chaves” que deu o mote à manchete. E aqui estamos nós.

O toque de mestre, a cereja do bolo, a frase que completa essa obra de arte é outro trocadilho com nome de personagem da série: “E o Quico?”.


 

Por que Chavez, já morto, aparece nesta outra capa de 2013? Ninguém sabe. Talvez nem o autor consiga explicar. O fato é que ele só está aqui como um morto recente para “levar” o falecido desta edição para o Além.

Quando Chorão, líder do Charlie Brown Júnior, partiu para o oriente eterno, tenho certeza absoluta de que o pessoal do Meia Hora deve ter pensado em uma série de trocadilhos com o apelido do cantor, antes de alguém ter a sacada de usar nomes de bandas. Essa capa deve ter exigido raciocínio, deve ter sido objeto de acalorado debate na redação!

Sepultura, para quem não sabe, é o nome de uma das bandas mais famosas do rock brasileiro. Óbvio que todo mundo entendeu a referência.


 

Michael Jackson dispensa completamente apresentações. Imagino que todo mundo saiba quem ele foi. O ponto alto da capa do Meia com sua morte em 2009 não são os zumbis, roubados do clipe de “Thriller”, e sim a frase que serve de “cartola” à manchete: “Nasceu negro, ficou branco e vai virar cinza”.

Um clássico – para alguns, do mau gosto e para outros, da criatividade.

Dito isso, nada mais tenho a dizer. Formular qualquer frase depois desta pérola seria completamente inútil.

Encerro por aqui.