JORNAL SEXTA: Quem ainda é contra o Progresso (3): Burocratismo

Texto publicado na minha coluna de opinião no JornalSexta.Com no dia 10/01/2019.


Queridos leitores, sei que meus textos deixam dúvidas em alguns de vocês, e hoje pretendo esclarecer a diferença entre “burocracia” e “burocratismo”. Sou uma espécie de expert no assunto, tendo gasto já mais de uma década da minha vida atrás de balcões estatais.

Burocracia, a palavra, vem do grego antigo “purros”, ou seja, “marrom avermelhado” – que era a cor das mesas sobre as quais se faziam contas. Esta, por sua vez, acabou evoluindo para a moderna escrivaninha, objeto-símbolo dos escritórios.

Em sentido moderno e puro, “burocracia” é uma organização ou estrutura organizativa caracterizada por regras e procedimentos explícitos e regularizados. Existe, e é necessária, na administração pública e nas grandes empresas privadas.

Já “burocratismo” é um conceito abstrato. Uma espécie de ideologia mas, mais especialmente, um estado de espírito – aquilo que os moderninhos chamam de “mindset”. Burocratismo é, acima de tudo, uma mentalidade.

O “burocratista” é aquele sujeito que busca nas leis e nas normas não uma forma de ajudar ao cidadão, de liberar-lhe o acesso, e sim uma forma de travá-lo. É o catador de formigas legais que tenta achar uma vírgula que seja, pois tem o desejo profundo de indeferir, negar, de ferrar com a vida do infeliz que pede-lhe um auxílio.

A burocracia – mesmo que a palavra hoje seja quase um palavrão – é necessária para o funcionamento e manutenção dos padrões de qualquer sociedade, associação ou firma que tenha normas e critérios a zelar.

O BUROCRATISMO, por sua vez, é um câncer. É um entrave ao progresso. É uma cruzada pessoal, às vezes coletiva e institucional, contra o direito dos outros de empreender, de regularizar, de viver. É uma questão até de fundo psicológico: uma espécie de ranço que surge da arrogância, do despeito e/ou das frustrações que jazem no fundo do coração de dirigentes e barnabés de espírito turvado.