Quem ainda é contra o progresso? (2)

Texto publicado em 03/01/2020 na minha coluna no site JornalSexta.com.


“Nem a Havan e nem o Atacadão têm licença definitiva do DAER”, me diz um amigo no Whatsapp. E ele tem razão. Para ele, esta é a prova de que tais grandes empresas são  “sujas”. Para mim, é o atestado de que algo vai mal no próprio órgão.

Geraldinhoi Filho em sua longa estadia no Governo do Estado há alguns anos, foi pivô de  uma polêmica ao aparecer em um vídeo atacando o “burocratismo dos engenheiros do  DAER”.

Talvez nosso primeiro – e até agora único – deputado federal tenha apenas se adiantado. Se na época esse discurso parecia chocante, hoje é perfeitamente aceito. Luciano Hang,  o véio da Havan, diz a mesma coisa e meio Brasil o aplaude.

O caso é que, segundo meu amigo Sarico, as contrapartidas exigidas do Atacadão e da Havan eram megalomaníacas: de um, queriam uma pista de acesso de um quilômetro e  meio. Da outra, tentavam arrancar nada menos que um viaduto, o asfaltamento de uma rua inteira, e que colocasse a entrada do estacionamento na parte de trás.

Essas lojas, com as obras associadas, ficariam prontas só para o Natal… de 2020!

Foi preciso conjurar forças, Juvir Costella e o caramba, para obter uma licença provisória do DAER. Com esse papel nas mãos, a Prefeitura destacou seus melhores nomes, liberando tudo a toque de caixa. As empresas então ergueram suas obras a galope.

Agora, está tudo inaugurado. Centenas de pessoas estão trabalhando. Uma região inteira da cidade está de cara nova.

É momento de festa, mas também de questionamentos:

Como pode um órgão, um sistema burocrático inteiro, tornar-se tão autocentrado a ponto de virar um entrave ao desenvolvimento? Como chegamos ao ponto de ser necessário um “cambalacho” desses para a cidade poder crescer?

Dou meus parabéns aos artistas que fizeram tal malabarismo. E pergunto: como pode ainda subsistir um tal burocratismo? Quem o defende? E por que?