Resposta a “A ilusão midiática dos anos 80 e a geração que não entendeu nada!”

O site Comunicação Colorida publicou recentemente um artigo com o título “A ilusão midiática dos anos 80 e a geração que não entendeu nada!“, cujo ponto central é: embora os músicos dos anos 1980 tenham cantado sobre liberdade, tolerâncie e aceitação, a geração que os escutou (a minha, embora eu tenha curtido a década só a partir do finalzinho dela) não entendeu nada.

Seria assim: a ignorância e o conservadorismo do pessoal que busca referências de masculinidade e valores na “década dourada” de suas infâncias e juventudes não teria captado o recado de seus ídolos da época. Diz assim:

“Já essa geração de hoje, condenada por ouvir Pabllo Vittar, Jojo Todynho, Anitta, e suas músicas sem conteúdo, sabem que por trás dessas canções de péssimo gosto, está uma mensagem de empoderamento, conscientização e autoestima, que Viannas, Gessingers e Russsos entre outros, evidentemente não conseguiram.

Daqui a alguns anos, teremos uma nação mais consciente, ralando a raba no chão, incomodando os conservadores e de visão muito mais humana.”

 

 

DISCORDO!

O parágrafo final é fantasioso.

Eu lembro que a gente ouvia Legião e Engenheiros e CAPTAVA a mensagem, como hoje se capta a dos músicos atuais. Gessingers e Russos da vida conseguiram comunicar o que queriam perfeitamente, e todo mundo captou.

Só que as pessoas depois entram naquela espiral, trabalho, cansaço, insegurança, e um senso de “eu realizei”, e passam a ficar conservadoras, auto-intituladas ao próprio sucesso, e introjetam uma certa raiva das gerações mais novas, que estão numa fase mágica da vida à qual nós não mais voltaremos (e sabemos disso, o que é desolador).

Então…

Se nada mudar na forma como os adultos são obrigados a viver, e como são levados a pensar, essa geração que hoje está “empoderada” e “arrastando a raba no chão”, vai estar toda usando camiseta polo, sentada no sofá destilando ódio à “decadência musical e moral” da próxima geração.

MITEI: profissionais do sexo enrustidas

Alguém divulgou um post com o papo de duas meninas que diziam que não namorariam um pobre, e que não racham conta: o homem é obrigado a pagar tudo para elas, para ter alguma chance.

Mais de mil curtidas no meu comentário:

 

Ora, faça-me o favor! Em plena era da emancipação feminina, mulheres trabalhando, ganhando ás vezes mais seus namorados e maridos, assumindo chefias, ainda existem essas moças que exigem ser bancadas? Deveriam assumir logo o roda-bolsismo como profissão.

MITEI: os turbantes e a apropriação cultural

 

É incrível como essas pessoas sociologísticas e politiquentadas (ou seja, já treinadas no discurso da politicagem) conseguem arrancar debates épicos de questões absolutamente babacas: nenhuma cultura desenvolveu-se isolada neste mundo. Tudo teve influência de todos.

Em pleno século XXI, com a lógica capitalista imperando em tudo, os objetos podem e serão reproduzidos em escala industrial, desligados de seus significados originais, para consumo de quem se dispuser a comprá-los.

Existe, há uns cem anos, toda uma teoria sobre a Indústria Cultural, Adorno, Horkheimer e outros autores altamente soníferos com livros enormes sobre isso.