Extensão do Domínio da Luta (Michel Houellebecq)

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O protagonista é desinteressante, a história começa em nada e acaba em lugar nenhum, e a trama é cheia de não-acontecimentos. Mas por alguma razão, é uma obra que não se consegue parar de ler, e eu suspeito que ela tenha um sentido maior. Ou não. Mas voltemos ao começo, para descrever esta obra imperdível.

Há mais de 10 anos, eu nunca tinha ouvido falar de Michel Houellebeqc. Nem eu, nem ninguém da turma da faculdade. Mas eis que o professor Juremir Machado da Silva disse que nós deveríamos ler, e nós lemos.

Eu inclusive comprei o tal livro. Eu compro muitos livros, mas passo adiante aqueles que acho ruins demais para merecerem uma releitura algum dia. E “Extensão do Domínio da Luta” está aqui há mais de uma década.

Trata-se de um romance, bem curto. Umas 140 páginas de letras grandes e entrelinhas duplas.

A história, narrada em primeira pessoa por um narrador fictício, é um relato de um certo período de sua vida. Não um período extraordinário de autodescoberta, ou um período atribulado por um grande amor, uma grande aventura. Não. Este livro é singular justamente porque a vida do personagem é um saco.

Ele tem um amigo que não pega ninguém, e embora o próprio protagonista tenha tido seus casos, sua vida sexual parece morta. Seu trabalho é chato. Seu dia-a-dia é modorrento. Ele é cínico, desanimado, pessimista e sarcástico. É uma bela porcaria de herói, para falar a verdade.

O legal é que essa pessoa absolutamente desprezível acaba cativando a atenção do leitor. Principalmente quando observa, com total crueza (e às vezes ao estilo Al Bundy) as pessoas. Especialmente as que se acham mais legais e bem sucedidas.

O texto é fluido e nada chato. Tem palavrões a torto e a direito. Aliás, nunca vou entender essa obsessão por palavrões e um certo erotismo enfadonho, malsucedido, que o Juremir tem (ele é o tradutor desse livro, e escreveu “Solo”, que tem mais ou menos o mesmo tipo de personagem).

O enredo de “Extensão…” começa no nada e vai a lugar algum. E a gente fica do começo ao final torcendo apenas para que o narrador não faça nenhuma besteira. Embora, no fundo, torça para que ele faça algo estúpido, que ponha fim a toda a angústia surda que permeia a vida dessas pessoinhas infelizes.

Eu tenho certeza de que “Extensão do Domínio da Luta” tem um sentido, ou 3quem sabe, uma mensagem implícita. Mas jamais fiz a menor ideia de qual seja. Na contracapa, a única dica sobre isso: “Um romance de aprendizagem: a aprendizagem do desgosto.”

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