Lancei meu novo livro “Política para Iniciantes”

Estou ainda experimentando o Amazon KDF, uma plataforma para lançamento de livros (ebooks) para Kindle. O sistema abre a possibilidade de venda do livro físico pela própria Amazon. E a obra “selecionada” para esta nova fase tecnológica da minha vida como escritor é o manual semi-maquiavélico “Política para Iniciantes”.

Trata-se de um guia bastante prático e desprovido de pendores moralistas ou ideológicos. Começa falando sobre os cargos, a estrutura dos três poderes, legislação eleitoral, e depois ingressa em assuntos mais subjetivos, como a mecânica de funcionamento REAL dos partidos. No final, o livro assume que seu leitor pretende ser candidato, e traz instruções muito didáticas sobre material impresso, campanha na internet, organização de campanha, etc.

O texto é todo permeado de dicas e macetes que você não encontrará em nenhuma obra sisuda sobre ciência política. É um livro escrito “no popular”, para quem não tem tempo a perder, e quer saber como as coisas são – não como deveriam ser.

“Política para Iniciantes” já está disponível na Amazon.

12 Homens Extraordinariamente Comuns (John MacArthur)

Nunca fui grande leitor de obras cristãs (isso talvez esteja mudando), e foi por acaso que descobri este livro, se não me falha a memória, na estante dentro de um restaurante perto da minha casa – e comprei-o, basicamente, porque não havia coisa melhor.

MacArthur é um autor importante. Pelo menos, acredito que seja: nunca havia ouvido falar dele mas, na “orelha” do livro, diz que ele já escreveu mais de 150 obras. Uma delas, aliás, chamada “Uma vida perfeita”. Ele só pode ser grande, pretensioso, ou ambos. Não sei.

A questão é que “Doze homens…” é uma obra bastante acessível, separada em capítulos não muito longos, sobre os apóstolos de Jesus Cristo. A partir da Bíblia, de relatos de historiadores e outras fontes, o autor descreve quem foram esses sujeitos que, em algum momento, reuniram-se em torno do Messias e passaram três anos com ele dando início, depois, à pregação pelo mundo todo.

Na minha opinião, este é um dos livros mais interessantes que qualquer interessado pelo cristianismo poderia ler. Os apóstolos – ao contrário do que a liturgia tradicional faz parecer – não eram grandes homens, nem sábios, nem santos. Eram sujeitinhos como eu ou vocês. Pessoas comuns.

Temos Pedro, descrito como um sujeito impulsivo dado a bravatas; temos Simão, um fanático não muito diferente de certos moralistas e militantes atuais; temos André, que agia nas sombras; Filipe, o calculista com pendores para a contabilidade e a indecisão; e finalmente paramos para observar figuras como Tiago, Tomé (que não era descrente, apenas um chato), e os dois Judas. Mesmo cristãos e teólogos com muita estrada podem aprender algo sobre esses sujeitos tão citados, mas tão pouco conhecidos.

Alguns pontos altos: a relação improvável entre Mateus e Simão; a análise do perfil de liderança de Pedro (esta parte do livro, aliás, encaixar-se-ia em qualquer uma dessas obras sobre “como selecionar líderes empresariais”); ou a verdaeira motivação de Judas Iscariotes para aderir e seguir ao bando de Cristo.

Claro, o escritor é um cristão aparentemente fervoroso, então é natural que haja certo determinismo, certo sentido de “predestinação” na escolha e no “sortimento” de tipos de personalidade dentro do grupo retratado. Mas até isso ajuda a obra a ter sua força.

Então, no fim das contas, este é um livro que recomendo para todo e qualquer curioso sobre o assunto. Ele não vai ferir suas suscetibilidades, a menos que você seja um cristão fundamentalista. Além disso, não é um livro badalado ou caro.

Às igrejas, eu recomendaria ter esta obra em suas bibliotecas, caso as possuam.

Extensão do Domínio da Luta (Michel Houellebecq)

O protagonista é desinteressante, a história começa em nada e acaba em lugar nenhum, e a trama é cheia de não-acontecimentos. Mas por alguma razão, é uma obra que não se consegue parar de ler, e eu suspeito que ela tenha um sentido maior. Ou não. Mas voltemos ao começo, para descrever esta obra imperdível.

Há mais de 10 anos, eu nunca tinha ouvido falar de Michel Houellebeqc. Nem eu, nem ninguém da turma da faculdade. Mas eis que o professor Juremir Machado da Silva disse que nós deveríamos ler, e nós lemos.

Eu inclusive comprei o tal livro. Eu compro muitos livros, mas passo adiante aqueles que acho ruins demais para merecerem uma releitura algum dia. E “Extensão do Domínio da Luta” está aqui há mais de uma década.

Trata-se de um romance, bem curto. Umas 140 páginas de letras grandes e entrelinhas duplas.

A história, narrada em primeira pessoa por um narrador fictício, é um relato de um certo período de sua vida. Não um período extraordinário de autodescoberta, ou um período atribulado por um grande amor, uma grande aventura. Não. Este livro é singular justamente porque a vida do personagem é um saco.

Ele tem um amigo que não pega ninguém, e embora o próprio protagonista tenha tido seus casos, sua vida sexual parece morta. Seu trabalho é chato. Seu dia-a-dia é modorrento. Ele é cínico, desanimado, pessimista e sarcástico. É uma bela porcaria de herói, para falar a verdade.

O legal é que essa pessoa absolutamente desprezível acaba cativando a atenção do leitor. Principalmente quando observa, com total crueza (e às vezes ao estilo Al Bundy) as pessoas. Especialmente as que se acham mais legais e bem sucedidas.

O texto é fluido e nada chato. Tem palavrões a torto e a direito. Aliás, nunca vou entender essa obsessão por palavrões e um certo erotismo enfadonho, malsucedido, que o Juremir tem (ele é o tradutor desse livro, e escreveu “Solo”, que tem mais ou menos o mesmo tipo de personagem).

O enredo de “Extensão…” começa no nada e vai a lugar algum. E a gente fica do começo ao final torcendo apenas para que o narrador não faça nenhuma besteira. Embora, no fundo, torça para que ele faça algo estúpido, que ponha fim a toda a angústia surda que permeia a vida dessas pessoinhas infelizes.

Eu tenho certeza de que “Extensão do Domínio da Luta” tem um sentido, ou 3quem sabe, uma mensagem implícita. Mas jamais fiz a menor ideia de qual seja. Na contracapa, a única dica sobre isso: “Um romance de aprendizagem: a aprendizagem do desgosto.”

Correio do Povo – a primeira semana de um jornal centenário (Juremir Machado da Silva)

O Correio do Povo completou 120 anos em 2015 e, como parte das comemorações, o jornalista Juremir Machado da Silva escreveu aquele que, na minha opinião, é um dos melhores livros que ele já concebeu. Eu fui ao lançamento, e possuo um exemplar autografado.

A obra conta o começo da longuíssima história desse jornal, que depois originou um grupo de comunicação com TV, rádios, etc. O começo, retratado no livro, é bem humilde. E bem interessante.

No final do século XIX, praticamente só existiam jornais panfletários, ligados a causas políticas. Esse formato atual, no qual a gente lê notícias de forma supostamente imparcial, e o patrocínio vem dos anúncios publicitários (ao invés de partidos ou associações), só viria depois. Aliás, no Rio Grande do Sul, ele viria justamente com o Correio do Povo.

Juremir Machado nos conta a história sob a forma de uma narrativa literária, como se estivesse mesmo nos contando uma história. O que quero dizer é que não estamos diante de um livro enciclopédico. Em alguns pedaços, o escritor abandona a “linha do tempo” dos fatos e acaba voltando um pouco para buscar algum dado importante. É uma leitura bem suave e fluida.

O começo do livro fala pouco do jornal: o autor achou importante nos dar uma certa ambientação sobre a realidade da época. Monta um mundo para a gente entender como eram as coisas quando o Correio do Povo saiu, com o bombástico primeiro editorial.

Aqui, vou ser sincero: o começo do livro não é a melhor parte. A descrição do caráter revolucionário do novo jornal diante da imprensa atrasada do RS na época soa grandiloquente, até exagerada. E ela é esmiuçada ao máximo.

Além disso, essa parte introdutória tem alguns trechos meio tediosos, com muito palavreado, muitos adjetivos e descrições, trechos de biografias de pessoas importantes da época, e pouca ação. Para montar um primeiro perfil do visionário Caldas Júnior, o autor acabou construindo um texto com várias repetições dos eventos mais traumáticos da juventude dele. “Tá, já sei, mataram o pai dele… eu já li isso ali atrás… mataram denovo?… prossigamos…”. A gente vai lendo as primeiras páginas e se perguntando quando é que alguma coisa vai acontecer.

Até que, lá pelas tantas, ACONTECE: sai a primeira edição do Correio! Folhão, diagramação não existia, foto nem pensar. Mesmo assim, foi o máximo. Pá!

A partir daí o livro deslancha. Ganha velocidade. As coisas começam a acontecer. Até o texto ganha outro ritmo. Esse é o Juremir que todos conhecemos e amamos! O jornal de forma concreta torna-se o centro do livro. E aí ele torna-se muito legal.

A descrição dos anúncios publicitários, por exemplo, é uma verdadeira pérola do resgate histórico, ainda mais porque foi escrita para leigos, em linguagem fácil. E a gente fica pensando em tudo o que mudou nesse tempo todo na arte de vender tranqueiras para o público incauto. Fora o fato de que alguns dos produtos dizem MUITO sobre as preocupações da época, e outros chegam a ser insólitos.

A história prossegue com as primeiras edições do jornal. Muito legal, talvez especialmente para quem é jornalista, ou já dirigiu um jornal, como é o meu caso. Mas acho que o apelo vale também para o público em geral: é uma espécie de viagem à era da inocência, antes do marketing, dos conglomerados de comunicação, da multimídia.

Imprensa era isso: jornal impresso. O que saía no papel abalava a comunidade. Intelectuais tornavam-se populares, ganhavam fãs e detratores esgrimindo com palavras pela velha Porto Alegre do final do século 19.

Na verdade, Caldas Júnior começou seu jornal com um pequeno grupo de homens de origens diferentes, com “superpoderes” diferentes, desafiando o mundo. Ele tinha um ideal, tinha concepções que desafiavam o senso comum de sua época, e lançou-se ao imponderável. Deu um tiro na Lua, e acertou.

É fantástico pensar a coisa por essa perspectiva: agora, 120 anos depois, a gente olha e fica até emocionado de pensar o quão grande tudo aquilo se tornou. Toda a influência que teve. Toda a importância que aquelas folhas impressas de forma rudimentar acabaram tendo. Acho que o próprio Juremir deve ter sentido esse deslumbramento, porque ele transparece na narrativa.

A história das primeiras edições, que ocupa boa parte do livro, é também a história do impacto que o Correio do Povo causou quando caiu sobre o povo e o governo gaúchos.

Em uma época de pouca informação e muita ideologia, simplesmente noticiar equivalia a detonar uma revolução. E aí temos aqueles trechos que fazem a alegria de qualquer amante da História: fatos, a forma como as pessoas lidavam com eles, o jeito como a sociedade reagia às coisas.

As pessoas tinham noção de que estavam próximas de uma grande ruptura. Que o próximo século seria efervescente. E faziam apostas para o futuro. Algumas delas, tão bonitas que a gente fica pensando sobre o quê, afinal, deu errado para que não se realizassem.

O finalzinho da obra trata do que veio depois, e é interessante especialmente para quem não sabe muito bem o que aconteceu com o Correio do Povo ao longo do século XX. Juremir faz algumas ponderações sobre tudo isso, que nos fazem parar e pensar um pouco.

Acreditem quando digo que este é um grande livro, e deverá virar leitura obrigatória para quem quer entender essa coisa toda de jornalismo, a transição do que havia antes para o que há agora. Como viemos parar aqui.

Na verdade, nem é preciso querer entender nada: o livro é legal por si só.

Mais do que um livro de História, este é um livro com uma bela história, muito bem contada por um baita de um escritor. Que mundo fantástico era aquele! O leitor fica com uma certa saudade de uma época que não viveu.

Viver a “modernidade” de antigamente deve ter sido o máximo.

Cobras e Piercings (Hitomi Kanchara)

Acho que este é o primeiro livro de autoria de um japonês que eu li em toda minha vida, se a gente não contar mangás (aqueles quadrinhos). Saiu em 2007, pela Ediouro.

Vamos à obra: é um romance, ou seja, um livro contando uma história. Já na “orelha”, ficamos sabendo que a autora nasceu em 1983. Então, estamos falando de uma obra atual, de alguém da minha própria geração, sobre um tema atual. Muito interessante.

O livro em si, gira em torno de três jovens japoneses meio largadões na vida. Lui, uma menina meio decadente que é a narradora, Ama, o namorado dela que é um esquisitão, e Shiba, o dono do estúdio de tatuagens que é um completo psicopata, mas é um cara legal.

No texto, não temos grandes acontecimentos. Se um dia ele virar um filme, não esperem efeitos especiais nem explosões, nem tampouco figurino de época.

Mesmo assim, é uma narrativa viciante, um pedaço deixa o leitor ansioso para ler o próximo, e como são apenas 120 páginas, é perfeitamente possível “virar” uma noite de insônia para ler tudo de uma vez só. Não há momento chato na ação toda. Lui é uma figura bastante interessante. Já volto a falar dela daqui a pouco.

Primeiro, quero falar do submundo, dessa meninada, cabelo (pintado) ao vento, gente jovem (e esquisita) reunida. Logo pela capa sabemos que vai ser um livro com algumas perversões, vividas por gente tatuada e maluca. É o tipo de trama que promete nos levar a algumas situações meio limítrofes, ver algumas coisas retratadas de forma crua. Pelo menos para mim, a decisão de ler algo que começa com esse tipo de promessa se assemelha a entrar numa montanha-russa: a gente sabe que vai se arrepender de ter entrado em algum momento.

A diferença é que eu não ando de montanha-russa, mas leio essas coisas.

Bom. “Cobras e Piercings” faz a promessa de trazer algo extremo, mas é bem menos extremo do que parecia ou poderia ser. Mesmo assim, é uma boa leitura. Aliás, é uma ÓTIMA leitura, e eu recomendo especialmente para quem nunca lê nada e está cansado de fazer tentativas com livros de texto chato e ambientação anacrônica. Este aqui é leve, rápido, mais ou menos intenso, sem grandes profundidades, e se passa nos dias de hoje.

Agora, voltemos a falar de Lui. É engraçado porque, ao longo do caminho, a protagonista parece apenas uma menina bobinha e meio pirada. Só perto do final do livro temos uma noção do quão sem saída e decadente é a vida dela.

E é mais engraçado ainda porque, embora seja um retrato da “geração perdida” japonesa, “Cobras e Piercings” me lembrou de muita gente que conheci, tanto nos anos 90 como na geração de adolescentes atuais (aliás, entre estes, muito mais), aqui mesmo no Rio Grande do Sul.

No fim, temos esse romance, curto, leve, sem firulas, que fala sobre uma determinada geração, atual, da sociedade japonesa e mundial. E a grande jogada não são os dilemas, mas a ausência deles, e de qualquer outro objetivo.

15 Maneiras Diferentes de Ser Ainda Mais Feliz (José Luis Prévidi)

Este é o primeiro livro do Prévidi que tive a felicidade de ler, e a maneira como o obtive foi bem interessante: eu comentei qualquer coisa sobre a vida no Face, alguém relembrou esse livro, e eu perguntei como obtê-lo. O próprio autor respondeu. Uns dias depois, eu tinha meu exemplar, com dedicatória e tal.

Bom. O livro em si é uma coleção de 15 contos, pequenas histórias de vidas variadas. Todas com um tom leve, como se fossem causos contados por um amigo num dia qualquer. Nada de linguagem rebuscada, nada de complexidade narratória. É livro para gente comum ler. Alguns dos contos têm seis ou sete páginas, outros um pouco mais. São 117 páginas apenas, no total. E cada uma delas vale a pena ler e reler.

Não é um livro de auto-ajuda, e eu acho até que o Prévidi deve ter feito algum esforço para ficar longe deste ramo da literatura. Mas de alguma forma, a gente fica pensando sobre o quê, afinal, importa na vida.

Antes dos contos em si, tem uma parte onde o escritor conta a própria escolha: ele trabalhava no Banco do Brasil, um dia largou fora e foi ser jornalista, ganhando a metade. Como eu sou leitor do blog dele, percebo que ele é feliz fazendo o que faz. Não o imagino atrás de um balcão de banco. Daí, escreveu um livro para inspirar a gente a pensar sobre a felicidade.

A estrutura do livro, por ser formada de histórias estanques e sem relação direta uma com a outra, favorece às pessoas que não têm o hábito de ler: dá para ler um capítulo por dia e ir digerindo devagar.

Eu, no entanto, acabei lendo o livro todo em algumas horas: recebi numa sexta-feira, não consegui desgrudar dele e cheguei ao fim na noite de sábado.
Não vou detalhar as quinze histórias, mas quero dizer quais foram as minhas duas favoritas:

A do cara que era garçom, formou-se dentista e, depois de várias reviravoltas (inclusive amorosas) foi ser maitre, é muito legal porque lida com um sentimento pouco explorado na ficção: aquele da pessoa que quer uma coisa, a vida dá outra que parece até melhor, mas o cara continua obcecado com a ideia de cumprir o “destino” original.

A outra que grudou no meu cérebro é “O comerciante de ilusões”. Não sei bem por quê, mas é uma grande história, e tem uma alguma coisa que as outras não têm.

As outras treze também são muito legais, e eu acho que qualquer um que leia este livrinho sairá com sua própria lista das “tops”. É subjetivo. Cada um acaba “se enxergando” um pouco em alguma parte.

Qualquer um que leia o livrinho sairá, também, pensando em fazer alguma doideira daquelas que a gente sabe que tem que fazer, mas vai adiando.